Valérie Pécresse, a mulher que desafia Macron na batalha pelo voto moderado da direita

Valérie Pécresse, a mulher que desafia Macron na batalha pelo voto moderado da direita


Candidata escolhida pelo partido Republicanos tem quatro meses para trazer de volta eleitores que em 2017 votaram no atual presidente. Valérie Pécresse durante debate em 4 de dezembro de 2021
Julien de Rosa/AFP
Reduto tradicionalmente masculino, a direita francesa, que já reverenciou Charles de Gaulle, Georges Pompidou, Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy, escolheu pela primeira vez uma mulher para concorrer ao cargo de presidente. Trata-se da ex-ministra de Educação e de Orçamento Valérie Pécresse, que atualmente a região de Île-de-France, em Paris, vitoriosa nas prévias do partido Republicanos, disputadas com quatro pré-candidatos homens.
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Aos 54 anos, ela acumulou vasta experiência política, liderando importantes funções no Executivo. Comparada a um trator pelo ex-premiê Jean-Pierre Raffarin, Pécresse ingressou no Eliseu como conselheira de Chirac e atuou também como porta-voz de Sarkozy. É considerada moderada e venceu por 61% dos votos o pré-candidato Éric Ciotti, o mais radical entre os cinco concorrentes do Republicanos, que obteve 39%.
No discurso de vitória, Pécresse, contudo, deu alguns passos mais para a direita, acenando para a ala linha-dura do partido: prometeu retomar a autoridade do cargo, endurecer o policiamento e a imigração, aprovando um sistema de cotas, reduzir os gastos públicos e aumentar a aposentadoria para 65 anos.
O caminho para o Palácio do Eliseu será árduo. Embora ainda não tenha se declarado candidato à reeleição, Emmanuel Macron é o favorito na disputa, com 24% das intenções de votos, o dobro da candidata, em quarto lugar nas pesquisas. Desta vez, além de Pécresse, o pleito terá outras duas mulheres — a socialista e prefeita de Paris Anne Hidalgo e Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, que concorre ao cargo pela terceira vez.
A extrema direita, aliás, está dividida com um segundo candidato: o controverso escritor e comentarista Éric Zemmour, ainda sem partido, que cresceu rapidamente nas pesquisas com o discurso essencialmente xenófobo. Ele ameaça tirar votos de Le Pen e seduz também os eleitores do Republicanos que votaram em Ciotti a migrarem para o seu campo.
É compreensível, portanto, que Pécresse tenha também procurado demarcar distância dos radicais: “Ao contrário dos extremos, vamos rasgar a página da era Macron sem rasgar a história da França.” E, mais ainda, atacou o presidente, a quem definiu como um político sem convicção.
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“Entre o titular e eu, há mais do que uma diferença de linha política, há uma diferença de caráter. Ele tem apenas uma ambição, a de agradar, enquanto eu tenho apenas uma paixão, a de fazer as coisas.”
Em quarto lugar nas pesquisas, Pécresse desafia Macron na batalha pelo voto dos moderados. Ela tem quatro meses para trazer de volta os republicanos que em 2017 votaram no candidato centrista e independente que se elegeu presidente.
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Redação

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