Vale do Anhangabaú é reaberto ao público com banheiros sujos e áreas depredadas; reforma custou R$ 105,6 milhões

Vale do Anhangabaú é reaberto ao público com banheiros sujos e áreas depredadas; reforma custou R$ 105,6 milhões


Inauguração aconteceu foi 25 de julho, mas a área permaneceu fechada com grades. Nesta segunda (6), o Consórcio Viva o Vale assumiu gestão do espaço pelos próximos 10 anos, mas encontrou escadas sem corrimãos, lixeiras com tampas roubadas, entre outros problemas. Funcionárias fazem limpeza de pilastras vandalizadas no novo Vale do Anhangabaú, no Centro de SP.
Reprodução/TV Globo
Reaberto integralmente para o público nessa segunda-feira (6), o Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, já apresenta problemas de infraestrutura e manutenção, menos de seis meses depois da reinauguração do espaço, que aconteceu em 25 de julho.
Desde a reinauguração oficial, o local seguia com grades e áreas restritas ao público. Mas nesta segunda (6) a empresa que ganhou a concessão da área finalmente assumiu a zeladoria do espaço e encontrou bancos e paredes pichados, quiosques fechados e com entulho de obras.
A reportagem do SP1 também visitou fraldários e banheiros e encontrou muita sujeira, além de corrimãos e portas das lixeiras que foram arrancados e roubados.
Vale do Anhangabaú será reaberto após um ano e meio de atraso
Praticamente 100% das lixeiras encontradas só têm proteção de um lado. Os sacos ficam expostos e boa parte delas está pichada. Falta o básico como limpeza e até papel higiênico nos banheiros.
Nas escadarias laterais, que levam para área do skate – a primeira a ser inaugurada no local, os corrimãos de apoio foram arrancados. A pista de skate não tem nenhuma placa de identificação e a arquibancada está toda pichada.
“Quebraram e aí, acabaram tirando hoje, tiraram todos [os corrimãos]. Na inauguração era pra mostrar tudo bonito e pronto, foram tirados depois”, disse a dona de casa Maria Pereira dos Santos.
Lixeiras vandalizadas e com tampas roubadas no Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo.
Reprodução/TV Globo
Velhos problemas
O Consórcio Viva o Vale vai gerir o espaço pelos próximos 10 anos. Em novembro, o Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou quatro irregularidades no contrato manutenção do espaço, conforme reportagem do g1 à época. Na ocasião, a gestão municipal disse apurar os problemas.
Os moradores do Centro também reclamam da falta de segurança, mesmo com um posto da Guarda Civil Metropolitana (GCM) instalado no local.
“De perto ele não está muito bonito assim. Mas falta segurança, falta consciência da população contra a depredação, esse tipo de coisa. São duas partes que precisa: população e estado trabalhando juntos pra preservar o lugar”, afirmou o engenheiro Rodrigo Azevedo.
Bancos pichados no Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo.
Reprodução/TV Globo
O que diz a prefeitura?
Apesar das imagens mostrarem o contrário, a Prefeitura de São Paulo disse, por meio de nota, que houve, sim, zeladoria das áreas públicas do Vale do Anhangabaú, com reparos pontuais e limpeza do local.
Os equipamentos, como quiosques e banheiros, estavam sem uso e serão gradativamente liberados pela concessionária, de acordo com a programação de atividades e a necessidade de atendimento ao público, segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB).
A concessionária Viva o Vale não respondeu ao pedido de informações sobre os problemas registrados.
Corrimãos arrancados e roubados no Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo.
Reprodução/TV Globo
Histórico
A entrega do Vale do Anhangabaú foi adiada por sete vezes e, mesmo depois de pronta, a maior parte do local permaneceu cercada para evitar a aglomeração de pessoas durante a pandemia de coronavírus. A reforma do espaço custou R$ 105,6 milhões (veja mais abaixo). O Consórcio Viva o Vale será responsável pela gestão do espaço pelos próximos 10 anos.
Embora a reforma tenha trazido ganhos como a iluminação e o fim do cheiro de xixi na área, as mudanças geraram, desde a inauguração, muita reclamação de quem vive e passa pela região (veja vídeo abaixo).
Vale do Anhangabaú permanece fechado com grades e tem parte das fontes entupidas
Reinauguração
Vale do Anhangabaú é reaberto neste domingo (25).
ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
O novo Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, foi reinaugurado no domingo, 25 de julho, com fontes de água ligadas e programação cultural. O local estava fechado há quase dois anos.
A reabertura do espaço foi condicionada pela Prefeitura a uma marca: a cidade atingir 80% da população adulta vacinada com ao menos a primeira dose contra a Covid-19.
TCM aponta 4 irregularidades em contrato de manutenção do Vale do Anhangabaú com a SPTuris
Com marquise do Ibirapuera fechada há 2 anos, patinadores ocupam Vale do Anhangabaú
Vale do Anhangabaú é inaugurado neste domingo depois de sete adiamentos
Custos da obra
A reforma do Vale do Anhangabaú foi orçada em R$ 80 milhões, mas o preço final ultrapassou R$ 105,6 milhões, preço 32% maior que o esperado. O espaço foi reinaugurado em 25 de julho, quando a cidade atingiu 80% de pessoas vacinadas contra a Covid-19, após sete adiamentos consecutivos.
A reabertura foi marcada por eventos culturais e visita monitorada. O espaço está em fase de concessão e será administrado pela concessionária Viva o Vale, formado pelas empresas Urbancon, Nacional e B. Internacional Real Estate, pelos próximos dez anos.
O contrato de concessão de R$ 55,4 milhões foi assinado em 22 de julho e publicado no Diário Oficial. Ele contempla gestão, manutenção, preservação e ativação sociocultural de toda a área que compreende o baixo do Viaduto do Chá, Viaduto Santa Ifigênia, Vale do Anhangabaú, Praça Ramos de Azevedo, trecho da Av. São João, Praça do Correio, escadaria da Rua Dr. Miguel Couto, parte da Avenida São João entre a Avenida Ipiranga e a Rua São Bento, além de 8.730 m² das Galerias Formosa e Prestes Maia e dos 11 quiosques na área central do Vale.
A outorga anual de administração do espaço será de R$ 6,5 milhões por ano.
Vista do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo.
Marcelo Brandt/G1
CPI na Câmara
Paralelamente ao processo de concessão, os vereadores de SP assinaram um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar eventuais irregularidades na reconstrução do Vale do Anhangabaú.
A iniciativa partiu do vereador Toninho Vespoli (PSOL), especialmente por conta dos atrasos e valores gastos na obra. O pedido de CPI do Anhangabaú, porém, está numa fila de 19 pedidos de investigação diferentes que foram protocoladas na Câmara pelos vereador neste ano de 2021 e não tem nenhum perspectiva de ser iniciada neste ano.
"Foi uma obra desnecessária quando havia outras demandas na cidade, principalmente na periferia. Acho que há 3 pontos mais drásticos: os valores gastos, com aditivos que encareceram a obra, a demora na entrega, com sucessivas prorrogações, e a descaracterização da região, que ainda tinha um pouco de área verde e que foi completamente concretada, com completa mudança da paisagem", explicou o vereador ao g1 em abril.
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Redação

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