Trecho da Serra do Marçal, sudoeste da BA, é novamente interditado por causa de risco de deslizamentos

Cerca de 3,5 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas no município. Pista deve ser liberada na manhã de terça-feira (28). Cidade de Itapetinga, Bahia, tem cerca de 3,5 mil pessoas desabrigadas
Itapetinga, no sudoeste da Bahia, foi uma das cidades mais atingidas pela chuva na região. Cerca de 3,5 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas no município. A BA-263, que dá acesso à Serra do Marçal, foi novamente interditada por causa do risco de deslizamentos de terra, no trecho de Itapetinga, que liga a cidade até Vitória da Conquista.
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Para quem quer ir de Vitória da Conquista até Itapetinga, ou fazer o sentido contrário, terá que aguardar até terça-feira (28), às 6h. A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) voltou a interditar o trecho de sete quilômetros por volta das 18h. Durante todo o dia nesta segunda, o trecho funcionou no esquema pare e siga, com liberação a cada uma hora.
Desabrigados ou desalojados
A casa de dona Renilda da Silva foi invadida pela água. Ela é uma das 3,5 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas do município.
Nesta segunda-feira, de volta ao local, ela ainda estava em choque. "Foi muito rápido porque quando eu acordei, as bocas de lobo [bueiros] ali na frente já estavam inundando de água, a frente da casa toda inundando. Aí, de repente, a água começou a descer do rio para a pista e aí já veio subindo aqui, foi tudo muito rápido, questão de segundos", relata.
Dentro da casa de dona Renilda, o cenário é de destruição. "Eu peguei ainda uma geladeira, um fogão, mas o mais eu não podia aproveitar porque o povo [mandou]: 'sai, sai, sai, que a água está vindo, está vindo'. E aí a gente teve que correr, ir embora", relembre.
Juliana Santana contabilizou os prejuízos da loja de motos que tem na cidade nesta segunda. "Sonho, né, uma vida pra gente construir e é assim, a água levou, levou tudo".
O local ficou debaixo d'água e ela ainda não sabe o que fazer. "O meu sustento, o sustento de meus filhos, tudo embora aqui…casa dos meus vizinhos…a gente está em pânico, né, a gente nunca imaginou que o rio ia subir tanto, né, que ia destruir tanta coisa, né", lamentou.
O rio e a rua se confundem. A Avenida César Borges, por exemplo, estava alagada nesta segunda, apesar do nível da água ter baixado. Dona Edna Marques contou tudo o que vivenciou, emocionada.
"O sofá ontem [domingo, 27] ainda estava debaixo d'água. A mesa, eu só via a ponta da mesa lá da cozinha, o guarda-roupa ainda estava em pé e agora já desabou…E agora, fazer o que da vida? Minha mãe é idosa, 80 anos…", disse. Ela e a mãe estão na casa de parentes.
"O município montou abrigos para acolher essas pessoas no distrito de Bandeira do Colônia. Também aqui na sede, no município de Itapetinga, a gente tem feito esse acolhimento com assistente social, com psicólogos…Uma cozinha garantindo a alimentação dessas pessoas. Então, temos prestado, dentro das possibilidades, todo o apoio possível da prefeitura", disse o prefeito Rodrigo Hage.
A cidade ainda está sem abastecimento de água. "O abastecimento à bomba da captação…nós fizemos o esgotamento de toda a captação, estação de captação de água do município e estamos agora reparando a parte elétrica para que ainda hoje a gente ponha em funcionamento as bombas que abastecem e fornecem água para o município de Itapetinga. Ela funcionará com capacidade de 80% da nossa necessidade. Então, nós faremos um rodízio para que todo município seja abastecido", afirmou o prefeito.
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Redação

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