TJ-AL oferece apoio e orienta pastora ameaçada de morte após realizar casamento homoafetivo

TJ-AL oferece apoio e orienta pastora ameaçada de morte após realizar casamento homoafetivo


Odja Barros apresentou as ameaças sofridas à Coordenadoria de Direitos Humanos; desembargador Tutmés Airan disse que fez contato com o Conselho Estadual de Segurança e vai acompanhar o caso. Pastora é ameaçada de morte após realizar casamento homoafetivo
A Coordenadoria de Direitos Humanos do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) ofereceu apoio à pastora Odja Barros, ameaçada de morte após celebrar um casamento homoafetivo entre duas mulheres na Igreja Batista do Pinheiro. Nesta quarta-feira (15), o desembargador Tutmés Airan se reuniu com a vítima e informou que vai cobrar providências sobre o caso.
“O Tribunal pode, evidentemente, usar da sua força simbólica para ajudar essas pessoas e no primeiro momento, essa ajuda será no sentido de proteger essas pessoas. Nós já entramos em contato com o Conselho Estadual de Segurança Pública, as providências já estão sendo tomadas. Além disso, nós vamos desenvolver gestões junto a Polícia Judiciária do Estado no sentido de abrir inquérito para apurar esse ato absolutamente grave que não pode e não deve ser tolerado, tem que ser enfrentado e a resposta tem que ser dada à altura”, explicou o desembargador Tutmés Airan.
Odja Barros conduziu a celebração de um casamento entre duas mulheres realizado no dia 5 de dezembro, em um salão de festas em Maceió. É a primeira vez no estado que um casamento homoafetivo é realizado por uma igreja cristã.
Além do coordenador de Direitos Humanos, desembargador Tutmés Airan de Albuquerque, a pastora apresentou à juíza Eliana Machado, da Coordenadoria Estadual da Mulher, parte das ameaças sofridas e foi orientada sobre as medidas que podem ser adotadas para garantir sua integridade física e de seus familiares.
Odja e a família prestaram queixa à polícia e formalizaram uma denúncia na Secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh) sobre as ameaças feitas pela internet, em mensagens enviadas ao seu perfil em uma rede social.
“Precisamos responder a essa atitude tomada por esse perfil, que não foi única dele, as outras mensagens que recebi foram muito agressivas. A gente precisa garantir que as instituições possam dizer que não se admite esse tipo de invasão da nossa liberdade de expressão, dos nossos direitos. Eu, como representante de liderança religiosa, não imponho o que eu penso a ninguém, as pessoas têm direito de discordar de mim, inclusive de argumentar contra”, disse ela.
Segundo Tutmés Airan, após as investigações, os acusados podem ser condenados por diversos crimes graves.
“Em tese tem uma série de crimes, falo em tese porque isso ainda vai ser avaliado, vai ser objeto de apuração pelo devido processo legal, que é um direito de todo e qualquer acusado. Mas evidentemente tem crime grave aí, crime de homofobia, que é um crime ao qual se aplica a lei do racismo, há crime de intolerância religiosa gravíssima, que precisa ser apurado e se for o caso, devidamente apenado”.
O presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Nildo Correia, participou do encontro e falou sobre a importância da união de instituições públicas e privadas para combater esse tipo de crime. O GGAL já havia emitido uma nota de apoio à pastora.
“Pode ser um louco possesso que está mesmo só pra assustar através das redes sociais, mas também pode ser um louco em excesso, que se não houver uma celeridade no caso podemos esperar tudo. Quem sabe a pastora não possa ser vítima de uma situação como essa”, comentou Nildo Correia.
O conjunto da militância dos movimentos sindical e social de Alagoas também emitiu nota de apoio e repudiou as ameaças sofridas por Odja. O texto diz que "a Igreja Batista do Pinheiro pratica o cristianismo com respeito e apoio a todos os setores excluídos e oprimidos na sociedade, e sempre soma com os movimentos sociais de defesa dos direitos humanos, sociais, trabalhistas, de defesa da liberdade e da democracia. A perseguição a esta comunidade religiosa precisa cessar". A nota é assinado por 42 entidades entre movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos.
Tribunal de Justiça de Alagoas oferece apoio à pastora ameaçada de morte após realizar casamento homoafetivo
Adeildo Lobo/ TJ-AL
Veja os vídeos mais recentes do g1 AL
Veja mais notícias da região no g1 AL

Use ← →para continuar navegando

Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.