Testemunha indicada por Marcelo de Jesus dos Santos faz o último depoimento do 7º dia de júri da Kiss

Testemunha indicada por Marcelo de Jesus dos Santos faz o último depoimento do 7º dia de júri da Kiss


Nilvo José Dornelles, que estava previsto para ser ouvido na quarta (8), foi adiantado para esta terça (7). Nilvo é ex-dono de uma boate em Santa Maria
Reprodução / TJ-RS
No sétimo dia de julgamento da boate Kiss, em Porto Alegre, o depoimento de Nilvo José Dornelles, que estava previsto para ser ouvido na quarta-feira (8), foi adiantado para esta terça (7). Ele foi indicado pela defesa de Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, por ser proprietário de outra casa noturna, a Ballare, em que o grupo se apresentava em Santa Maria.
AO VIVO: Acompanhe julgamento dos réus no caso Kiss
Por volta das 21h15, ele começou a oitiva e disse ao juiz Orlando Faccini Neto que o grupo se apresentou em sua boate no sábado anterior à tragédia. Ele confirmou que o uso de pirotecnia era comum entre a banda e demais artistas musicais que atuavam na casa.
"Sempre. E não só eles, as outras bandas também", disse.
Nilvo falou que havia renovado o alvará de funcionamento de sua casa noturna na quarta-feira anterior à tragédia na Kiss. Ele citou, ainda, que comprou o prédio pronto, mas que tinha materiais semelhantes à Kiss, como lã de vidro e espuma.
A testemunha destacou ainda que não era comum as bandas pedirem autorização para o uso de artefatos pirotécnicos nos shows.
Outros depoimentos
O primeiro depoimento desta terça foi o do do ex-técnico de som da banda Gurizada Fandangueira, Venâncio da Silva Anschau, de 40 anos.
Questionado pelo juiz Orlando Faccini Neto se alguém havia alertado o público sobre o incêndio no palco, Venâncio contou que desligou o áudio do ao ver que o fogo tinha iniciado.
"Eu não tenho dimensão, não imagino o que esteja do que aconteceu e eu desligo os microfones. Eu desabilitei. Errei", disse, chorando.
Durante a tarde, o júri foi retomado com depoimento da arquiteta Nívia Braido, que foi procurada pelo réu Kiko Spohr para alterações no interior da boate. Ela disse em plenário que alertou o proprietário sobre a necessidade de ter um responsável técnico para uma obra que foi realizada na boate.
O comandante do Corpo de Bombeiros de Santa Maria na época do incêndio também foi ouvido. Ele confirmou que o alvará da Kiss estava vencido desde agosto de 2012. Porém, segundo ele, isto não impedia que a boate operasse.
"Na época, não impedia de continuar operando. Tinha que entrar no Corpo de Bombeiros com pedido de renovação e os bombeiros iam para fazer a vistoria para ver se o projeto com a obra construída e projetada correspondiam um com outro e treinamento de pessoal. Mas nada obstruía que continuasse com as atividades", acrescentou.
O que disseram os sobreviventes
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Maike: 'parecia que estava respirando fogo'
Cristiane: 'aquilo era um filme de terror'
Delvani: 'fui caindo e me despedindo da minha família'
Doralina: 'lembro de muito grito, muita confusão', diz ex-segurança
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O que disseram as testemunhas
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Quem são os réus?
Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, 38 anos, era um dos sócios da boate
Mauro Lodeiro Hoffmann, 56 anos, era outro sócio da Boate Kiss
Marcelo de Jesus dos Santos, 41 anos, músico da banda Gurizada Fandangueira
Luciano Augusto Bonilha Leão, 44 anos, era produtor musical e auxiliar de palco da banda
Entenda o caso
Os quatro réus são julgados por 242 homicídios consumados e 636 tentativas (artigo 21 do Código Penal). Na denúncia, o Ministério Público havia incluído duas qualificadoras — por motivo torpe e com emprego de fogo —, que aumentariam a pena. Porém, a Justiça retirou essas qualificadoras e converteu para homicídios simples.
Para o MP-RS, Kiko e Mauro são responsáveis pelos crimes e assumiram o risco de matar por terem usado "em paredes e no teto da boate espuma altamente inflamável e sem indicação técnica de uso, contratando o show descrito, que sabiam incluir exibições com fogos de artifício, mantendo a casa noturna superlotada, sem condições de evacuação e segurança contra fatos dessa natureza, bem como equipe de funcionários sem treinamento obrigatório, além de prévia e genericamente ordenarem aos seguranças que impedissem a saída de pessoas do recinto sem pagamento das despesas de consumo na boate".
Já Marcelo e Luciano foram apontados como responsáveis porque "adquiriram e acionaram fogos de artifício (…), que sabiam se destinar a uso em ambientes externos, e direcionaram este último, aceso, para o teto da boate, que distava poucos centímetros do artefato, dando início à queima do revestimento inflamável e saindo do local sem alertar o público sobre o fogo e a necessidade de evacuação, mesmo podendo fazê-lo, já que tinham acesso fácil ao sistema de som da boate".
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Redação

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