Sobrinho de réu e ex-funcionário da boate é segundo a prestar depoimento no júri da Kiss

Sobrinho de réu e ex-funcionário da boate é segundo a prestar depoimento no júri da Kiss


Pessoas que serão ouvidas nesta segunda são arroladas ao processo pelo advogado de Elissandro Spohr, conhecido como Kiko. Uma das sobreviventes a falar é a esposa de Kiko. Willian Renato Machado é sobrinho de Elissandro Spohr
Reprodução/TJ-RS
O segundo depoimento do júri da boate Kiss nesta segunda-feira (6), é do sobrevivente Willian Renato Machado, 27 anos. O julgamento ocorre no Foro Central I, em Porto Alegre. Sobrinho do réu Elissandro Spohr, ele trabalhava na divulgação de festas da casa, e presenciou o momento em que o fogo iniciou.
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Ele relatou ter visto Elissandro, mais conhecido como Kiko, sócio da boate, carregando uma pessoa no lado de fora da boate, após o incêndio. "Ele queria voltar. E a gente não queria deixar porque a gente não tava entendendo o que tava acontecendo", afirmou.
Antes de Willian, foi ouvido Stenio Rodrigues Fernandes, que também trabalhava como promoter da casa noturna, e que falou como testemunha de defesa de Spohr. O terceiro depoimento programado para o dia é de Nathalia Daronch, esposa de Spohr, que também estava na boate.
Três depoimentos por dia
O juiz Orlando Faccini Neto determinou que, a partir de agora, três pessoas serão ouvidas por dia. Durante conversas com jornalistas no intervalo da sessão de domingo (5), o magistrado disse ser difícil projetar alguma data para o encerramento das oitivas com testemunhas e sobreviventes.
Ainda no domingo, três pessoas prestaram depoimento. Segundo o Tribunal de Justiça, já foram ouvidas 16 pessoas (10 sobreviventes, quatro testemunhas e dois informantes). Ainda restam 13 pessoas: dois sobreviventes e 11 testemunhas.
O que disseram os sobreviventes
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Kelen: 'última vez que corri foi para tentar me salvar', diz sobrevivente que teve perna amputada
Emanuel: 'não soou alarme', conta sobrevivente especialista em prevenção de incêndio
Jéssica: 'vi quando pegou a faísca', conta sobrevivente que perdeu irmão
Lucas: 'eu desmaiei, fui muito pisoteado', diz DJ da boate
Érico: 'ajudei até o final', conta barman que ajudou no socorro às vítimas
Maike: 'parecia que estava respirando fogo'
Cristiane: 'aquilo era um filme de terror'
Delvani: 'fui caindo e me despedindo da minha família'
Doralina: 'lembro de muito grito, muita confusão', diz ex-segurança
O que disseram as testemunhas
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Quem são os réus?
Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, 38 anos, era um dos sócios da boate
Mauro Lodeiro Hoffmann, 56 anos, era outro sócio da Boate Kiss
Marcelo de Jesus dos Santos, 41 anos, músico da banda Gurizada Fandangueira
Luciano Augusto Bonilha Leão, 44 anos, era produtor musical e auxiliar de palco da banda
Entenda o caso
Os quatro réus são julgados por 242 homicídios consumados e 636 tentativas (artigo 21 do Código Penal). Na denúncia, o Ministério Público havia incluído duas qualificadoras — por motivo torpe e com emprego de fogo —, que aumentariam a pena. Porém, a Justiça retirou essas qualificadoras e converteu para homicídios simples.
Para o MP-RS, Kiko e Mauro são responsáveis pelos crimes e assumiram o risco de matar por terem usado "em paredes e no teto da boate espuma altamente inflamável e sem indicação técnica de uso, contratando o show descrito, que sabiam incluir exibições com fogos de artifício, mantendo a casa noturna superlotada, sem condições de evacuação e segurança contra fatos dessa natureza, bem como equipe de funcionários sem treinamento obrigatório, além de prévia e genericamente ordenarem aos seguranças que impedissem a saída de pessoas do recinto sem pagamento das despesas de consumo na boate".
Já Marcelo e Luciano foram apontados como responsáveis porque "adquiriram e acionaram fogos de artifício (…), que sabiam se destinar a uso em ambientes externos, e direcionaram este último, aceso, para o teto da boate, que distava poucos centímetros do artefato, dando início à queima do revestimento inflamável e saindo do local sem alertar o público sobre o fogo e a necessidade de evacuação, mesmo podendo fazê-lo, já que tinham acesso fácil ao sistema de som da boate".
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Redação

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