Sequestros, assassinatos, feminicídios: os 10 crimes que chocaram o RS na última década

Sequestros, assassinatos, feminicídios: os 10 crimes que chocaram o RS na última década


g1 RS completa 10 anos e recupera casos criminais que abalaram a sociedade gaúcha. Suspeito de matar bancário em Anta Gorda
Reprodução
Crimes de todas as naturezas foram destaques no g1 RS ao longo da última década. Nos 10 anos do portal, completados nesta quinta-feira (16), a reportagem relembra dos mais marcantes e atualiza quais foram — ou não — os desfechos.
1. Desaparecida em Aparecida do Norte
Imagem de Beatriz Winck quando desapareceu
Arquivo Pessoal
Delmar e Beatriz Winck visitavam o Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, em 21 de outubro de 2012, quando a idosa, de Portão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, nunca mais foi vista.
O sumiço em excursão a Aparecida que é mistério para família desde 2012
O sumiço de Beatriz intriga familiares e autoridades policiais da região. Nem as investigações da polícia nem tampouco de detetives particulares trouxeram novas informações.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou ao g1 que não interrompeu as investigações.
"A 5ª Delegacia de Investigações sobre Pessoas Desaparecidas investiga o caso por meio de Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID) e segue realizando buscas para localizar a vítima. Qualquer informação que possa contribuir com o trabalho policial pode ser fornecida via Disque Denúncia (181)", disse, em nota.
Para o filho João Winck, apesar de não haver nenhuma pista concreta neste período, ele não deixou de acreditar na possibilidade de reencontrá-la.
"Eu não sinto que minha mãe morreu. Com tudo o que nós fizemos, se ela tivesse morrido alguém teria dito algo. Para mim, ela está na casa de alguém, sem memória. Mas que ela está viva, está viva", disse em entrevista ao g1 Vale do Paraíba e Região.
2. Caso Bernardo Boldrini
bernardo boldrini
GloboNews
Em 4 de abril de 2014, outro sumiço deu início a uma das histórias criminais mais chocantes do estado. O menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, foi dado como desaparecido dois dias depois, em Três Passos, na Região Noroeste.
Dez dias mais tarde, ele foi encontrado em uma cova em Frederico Westphalen e o pai, a madrasta e uma amiga dela foram presos suspeitos de envolvimento na morte dele. A investigação apontou superdosagem do medicamento Midazolam como causa.
Pai, madrasta e mais duas pessoas são condenadas pela morte do menino Bernardo Boldrini
Em 2019, Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo, foi condenada a 34 anos e sete meses de reclusão por homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver. Leandro Boldrini, pai da criança, recebeu 33 anos e oito meses de prisão, e Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele, foi condenada a 22 anos e 10 meses. Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, pegou nove anos e seis meses em regime semiaberto.
Porém, na semana passada, o 1º Grupo Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) decidiu pela anulação do julgamento de Leandro. Por quatro votos a três, os desembargadores acolheram o recurso de embargos infringentes feitos pela defesa do réu.
O relator do caso, desembargador Honório Gonçalves da Silva Neto, decidiu por acolher o recurso em função da conduta do promotor de justiça durante o interrogatório do réu em plenário, no júri realizado em 2019.
3. Caso Rafael Winques
Rafael Mateus Winques está desaparecido desde sexta-feira
Divulgação/Polícia Civil
Depois deste parricídio, em que o pai se envolve na morte do filho, um matricídio chocou o Rio Grande do Sul e o Brasil. Além de ter ocorrido em Planalto, no norte do estado, outras semelhanças com o Caso Bernardo chamaram a atenção.
Rafael Mateus Winques também tinha 11 anos e o corpo dele foi encontrado 10 dias depois de ser dado como desaparecido pela própria mãe, Alexandra Dougokenski. Segundo a Polícia Civil, ela confessou o crime por excesso de dosagem em um calmante.
Depois, porém, mudou de versão ao menos duas vezes. O Instituto Geral de Perícias apontou a causa como asfixia mecânica causada por estrangulamento com uma corda.
Morte de menino completou 1 ano em maio
Em paralelo, o Ministério Público pediu o desarquivamento da investigação sobre a morte do agricultor José Dougokinski, primeiro marido de Alexandra Dougokenski. Na época da morte de José, em 2007, a conclusão foi de que se tratava de suicídio, e o caso foi arquivado dois anos depois. Porém, uma perícia particular contratada pela família levantou a hipótese de que ele possa ter sido assassinado.
Pela morte do filho, Alexandra foi acusada por homicídio qualificado (motivo torpe, motivo fútil, meio cruel, dissimulação e recurso que dificultou a defesa), ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual.
O júri foi transferido do dia 8 de novembro deste ano para 21 de março de 2022, por decisão da juíza de Planalto, Marilene Parizotto Campagna.
4. Médica desaparecida em Pelotas
Professora universitária está desaparecida em Pelotas, RS
Reprodução/RBS TV
Em 2015, Claudia Pinho Hartlebem, de 47 anos, professora de Biotecnologia e Medicina Veterinária da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), foi considerada desaparecida.
Ela foi vista pela última vez no dia 9 de abril, depois de jantar com uma amiga e ir para casa logo após as 23h. O desaparecimento só foi percebido no dia seguinte.
O Ministério Público denunciou o ex-marido e o filho da professora por homicídio, ocultação de cadáver e feminicídio. Ela já tinha denúncia por violência doméstica contra o ex-marido feita em 2013.
Porém, ao serem interrogados sobre o desaparecimento, ambos negaram a autoria, e a Justiça rejeitou a denúncia.
'Ela estava tão feliz', lembra mãe
Caminhada lembra um mês do sumiço de professora
Pouco depois do desaparecimento, ainda em 2015, um novo laboratório foi inaugurado e recebeu o nome dela. O jaleco usado por Cláudia está na parede, junto com a faixa que recebeu depois de ter sido escolhida como a professora homenageada por uma turma de formandos, e árvores foram plantadas.
O corpo da professora nunca foi encontrado. O inquérito foi arquivado pelo MP-RS em 2019.
5. Contadora de Boa Vista das Missões
Sandra Mara desapareceu em Palmeira das Missões, onde costumava ir a trabalho, e ossada foi descoberta um ano depois
Reprodução/RBS TV
O feminicídio, ou ao menos o envolvimento dos companheiros no desaparecimento de mulheres, é um tipo de crime recorrente. Em 2018, o desaparecimento de Sandra Mara Trentin, de 48 anos, em Palmeira das Missões, no Noroeste do estado, marcou o RS.
Imagens de câmeras de segurança mostram a caminhonete da mulher, uma Ranger preta, no dia do desaparecimento. O principal suspeito de ser mandante do crime era o companheiro dela, vereador em Boa Vista das Missões.
Paulo Ivan Ladfeldt e outro homem foram apontados pela polícia como os responsáveis pelo crime, e o Ministério Público denunciou ambos por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Eles foram presos, no mês seguinte, mas o político nega ser o mandante.
No ano seguinte, um laudo do Departamento Médico Legal (DML) confirmou que uma ossada localizada às margens da BR-158 era da contadora. Junto com os restos mortais estavam documentos com o nome de Sandra, além de roupas semelhantes às que ela usava.
Ladfeldt conseguiu um habeas corpus, mas foi revogado e ele permanece preso, conforme seu advogado. O MP-RS entrou na Justiça com embargos de declaração, a defesa apresentou contrarrazões, e ainda não há data para o julgamento.
6. Desaparecimento de gerente de Anta Gorda
Jacir Potrich está desaparecido desde 13 de novembro de 2018
Arquivo pessoal
Em 2018, o desaparecimento do gerente de banco Jacir Potrich, de 55 anos, mobilizou policiais, bombeiros e moradores de Anta Gorda, no Vale do Taquari. No dia 13 de novembro, o bancário teve uma rotina normal, trabalhou até as 15h, foi para casa e, mais tarde, saiu para pescar no açude.
Um vizinho foi preso em seu apartamento em Capão da Canoa, no Litoral Norte, mas não confessou o crime. Segundo a polícia, eles estiveram juntos por 30 minutos antes do desaparecimento e o vizinho virou as câmeras do condomínio onde crime teria acontecido.
Ele foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver e virou réu em 2019. Contudo, por determinação da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, a ação foi suspensa.
Sem a materialidade do crime, ou seja, sem o corpo, o material genético ou sangue, o caso segue inconclusivo.
7. Morte de João Alberto no Carrefour
João Alberto Silveira Freitas foi espancado até a morte por seguranças em supermercado de Porto Alegre
Reprodução
A morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro espancado em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra, provocou revolta no país em 2020. Protestos, passeatas e até depredações a unidades do supermercado em outros estados se seguiram nos dias seguintes, mesmo em meio à pandemia.
Seis pessoas foram denunciadas por homicídio triplamente qualificado, mas o caso ainda não foi a julgamento. Atualmente, dois seguranças envolvidos nas agressões estão presos, enquanto quatro funcionários do supermercado aguardam em liberdade.
Caso João Alberto: o que se sabe um ano depois
Caso João Alberto: Após um ano, ainda não há previsão para o julgamento das seis pessoas denunciadas pelo homicídio
O caso se tornou tão simbólico que se refletiu em ações práticas. O Carrefour afirma que adotou medidas de combate ao racismo, com a implementação de um novo sistema de segurança, o fim da terceirização e a contratação de agentes próprios, o treinamento dos profissionais, o uso de câmeras nos uniformes e critérios de diversidade para compor o efetivo das lojas.
Foram aplicados R$ 115 milhões em ações firmadas pelo termo de ajustamento de conduta junto às autoridades, além de um Fundo Antirracista de R$ 29 milhões.
Já a empresa Vector, terceirizada responsável pela segurança do estabelecimento na época, assinou um termo de ajustamento de conduta, no qual se comprometeu a adotar medidas internas e externas de combate ao racismo.
No mês seguinte, a primeira Delegacia de Combate à Intolerância do RS foi inaugurada, na Capital, vinculada ao Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis. No primeiro ano de atividades, foram identificados 256 casos de injúria, preconceito, ameaça, lesão corporal, entre outros, contra 283 pessoas, conforme dados obtidos com exclusividade pelo g1.
8. Chacina em Colorado
Roberto Terres, Márcia Johan e Maria Johan estão desaparecidos
Arquivo pessoal
O assassinato a tiros de uma família inteira de Carazinho mobilizou o Norte do Rio Grande do Sul. O casal Roberto Carlos Terres e Márcia Cristina Johann Althaus, e a filha deles, Maria Elisabeth, foram mortos em 2017, na cidade de Colorado.
A Justiça decretou a prisão de Flávio Diefenthaeler Martins, hoje com 51 anos, mas os corpos só foram encontrados quase cinco meses depois, em Victor Graeff.
Polícia vai usar três recursos diferentes para identificar corpos
Flávio foi preso e denunciado por triplo homicídio qualificado e uma tentativa após ter emboscado o trio e um vizinho, que conseguiu fugir do local.
Ele foi condenado pelo Tribunal do Júri de Tapera a 58 anos de prisão em outubro deste ano. A defesa do condenado alega inocência e ingressou com recurso ao fim do julgamento. Contudo, ele permanece preso.
9. Ritual satânico falso e delegado condenado
Delegado Moacir Fermino (esq.), comanda a investigação
Daniel Favero/G1
Em 2017, dois corpos foram encontrados esquartejados em um matagal em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Exames de DNA indicaram que eles eram irmãos por parte de mãe: um menino de 8 anos e uma menina de 12.
Já no ano seguinte, o delegado Moacir Fermino assumiu a investigação do caso e afirmou que a versão de suposto ritual satânico havia sido revelada a ele por duas pessoas descritas como "profetas".
Sete homens foram apresentados pela Polícia Civil como suspeitos de matarem as crianças em um ritual satânico, e cinco deles chegaram a ser presos. Depois, contudo, a investigação revelou que a versão era falsa.
"O que tínhamos é mentira, uma farsa. As testemunhas que deram o depoimento mentiram, com riquezas de detalhes, e por isso a investigação seguiu o rumo traçado por essas testemunhas", disse, à época, o delegado titular do caso, Rogério Baggio.
Conforme a polícia, um calote motivou o informante do delegado Moacir Fermino a forjar testemunhas para incriminar pessoas que não tinham ligação com o caso. O delegado Fermino, um segundo policial civil e mais uma pessoa foram indiciados pela Corregedoria em 2018.
No ano passado, Fermino foi condenado pela Justiça a seis anos de reclusão no regime semiaberto.
O caso foi arquivado em 2019 como inconclusivo. As crianças nunca foram identificadas.
10. Caso Miguel
Miguel foi morto pela mãe e teve corpo atirado no Rio Tramandaí, em Imbé, segundo a polícia
Reprodução/RBS TV
Outro caso inconclusivo é o que envolve a morte do menino Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos, em Imbé, no Litoral Norte, em julho deste ano. Conforme inquérito policial e denúncia do Ministério Público, a criança foi morta pela mãe, Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, e pela companheira dela, Bruna Nathiele Porto da Rosa, e o corpo foi jogado no Rio Tramandaí.
As duas respondem na Justiça por tortura, homicídio e ocultação de cadáver. Segundo as defesas, Yasmin se declara inocente, e Bruna disse, em audiência, que Yasmin é a responsável pela morte do menino. Ambas seguem presas.
Entenda o caso: Menino morto pela mãe em Imbé
De acordo com a polícia, Miguel era obrigado a copiar frases como "eu sou um idiota", "não mereço a mamãe que eu tenho", "eu sou ladrão, "eu sou ruim" e "eu sou um filho horrível". Em um vídeo divulgado pela Polícia Civil, a companheira da mãe ameaça a criança e diz que, se ela fizer xixi, vai "esfregar na cara" e que "vai ser bem tranquilo pra mim".
O inquérito também aponta que mãe consultou na internet se "digitais humanas saem na água salgada do mar" na madrugada do dia 29 de julho. O sangue encontrado em uma camiseta e em uma corrente localizadas pela Polícia Civil no local onde Miguel morava com a mãe pertencem a ele, conforme o Instituto Geral de Perícias.
Após 48 dias, bombeiros encerram buscas por corpo de Miguel. Até o momento ele não foi encontrado.
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Redação

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