Retrospectiva 2021: crimes contra negros, mulheres e população LGBTQIA+ crescem no DF; relembre casos que marcaram o ano

Retrospectiva 2021: crimes contra negros, mulheres e população LGBTQIA+ crescem no DF; relembre casos que marcaram o ano


Ocorrências de feminicídio, homotransfobia e injúria racial aumentaram, segundo Secretaria de Segurança Pública. Dados levam em consideração registros feitos entre janeiro e setembro de 2021, em comparação com igual período de 2020. Ilustração de pessoas com miras
Wagner Magalhães/G1
Uma cantora negra agredida enquanto trabalhava em um restaurante, uma mulher transexual atacada na saída de um bar e uma mulher encontrada morta com 59 facadas. Esses são alguns dos crimes violentos registrados no Distrito Federal em 2021. O g1 reuniu os principais casos em que raça, orientação sexual ou cor foram determinantes para os agressores (saiba mais abaixo).
Segundo um levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP), crimes contra negros, mulheres e população LGBTQIA+ cresceram em 2021 no Distrito Federal. Os casos de feminicídio, por exemplo, tiveram salto de 61% na comparação com 2020.
Números da SSP mostram que, em 2021, foram 29 feminicídios entre janeiro e novembro. O número ultrapassa o total de registros do ano passado, quando foram contabilizados 18 casos em igual período, ou seja, houve aumento de 61%.
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Já nos crimes de homotransfobia, o aumento foi de 60,5% entre janeiro e novembro. Segundo levantamento da pasta, foram 61 ocorrências em 2021 e 38 no ano passado.
Nos casos de injúria racial, o aumento foi de 34,2%. Nos primeiros 11 meses deste ano, a SSP computou 521 ocorrências, contra 388 de igual período do ano passado.
Ao todo, foram 15 casos de racismo até novembro deste ano. Em 2020, no entanto, foram 20 casos, ou seja, houve redução de 25%.
Violência contra mulheres
Homem persegue e quebra carros com mulheres
Em 25 de outubro, um homem perseguiu e quebrou um carro ocupado por três mulheres e uma menina de 9 anos, em Taguatinga. O casso ocorreu em um domingo à tarde, após uma briga de trânsito.
Homem pula em cima de carro e quebra para-brisa, no DF
O suspeito foi identificado como Ênio César de Barcelos e, à Polícia Civil, ele disse que "não estava medicado". Ele as vítimas chegaram a ir para a delegacia, mas o homem foi liberado.
Segundo o boletim de ocorrência, após a colisão, em um posto de gasolina de Taguatinga, Barcelos perseguiu Paula Ferreira, que denunciou ter sido xingada, inclusive com ofensas racistas. Quando ela parou em um semáforo, o homem pulou em cima do carro de Paula – que estava com a mãe e as irmãs no veículo – e destruiu o para-brisa (veja vídeo acima).
Morta com 59 facadas
Juvenilton Aquino da Costa foi preso suspeito de matar Drielle da Silva, no DF
Reprodução/Facebook
No dia 6 de dezembro, Drielle Ribeiro da Silva, de 34 anos, foi morta com 59 facadas pelo namorado. Juvenilton Aquino da Costa se entregou à polícia um dia após o crime.
Na noite do feminicídio, Drielle e Juvenilton foram a uma distribuidora de bebidas, em Samambaia. No caminho de volta para casa, o casal discutiu e o homem atacou e matou a companheira.
O corpo da vítima foi encontrado perto de uma estação do Metrô. O casal, segundo a investigação da Polícia Civil, tinha uma "relação conturbada" e um filho de 7 anos.
Os policiais analisam ainda se Drielle estava grávida. Exames preliminares indicam que a mulher apresentava uma gestação de quatro meses, mas a hipótese ainda era analisada até a publicação desta reportagem.
Racismo e injúria racial
Entenda a diferença entre racismo e injúria racial
'Aprende a cantar, sua negra'
Uma cantora de 34 anos denunciou ter sido vítima de injúria racial enquanto trabalhava, no Vasto Restaurante, na Asa Sul. Andresa Sousa contou que, em 19 de outubro, a publicitária Valkíria Tavares de Moraes deu dois tapas no braço dela, além de ter dito: "aprende a cantar, sua negra".
Publicitária indiciada por injúria racial dá dois tapas em cantora, no DF
O caso foi registrado por câmeras de segurança (veja acima). A gravação mostra que a cliente assistia ao show, em pé, em frente ao palco onde Andresa se apresentava. A publicitária se aproximou e falou algo no ouvido da cantora, que respondeu.
Cantora Andresa Sousa diz ter sido vítima de injúria racial, no DF
Arquivo pessoal
Valkíria, então, se aproximou mais uma vez, esbarrou no microfone e, depois, deu dois tapas no braço da artista. Neste momento, segundo Andressa, a mulher disse: "Aprende a cantar, sua negra! Essa negra precisa aprender a cantar".
O caso foi registrado na Polícia Civil e Valkiria indiciada por injúria racial. A suspeita, também conhecida como Kika Cardoso, ainda deve responder por vias de fato – violência corporal que não deixa lesão.
Denúncia de racismo no Metrô
Homem é levado para a delegacia por seguranças do Metrô-DF
Em maio, a Polícia Civil do DF instaurou um inquérito para apurar se houve racismo contra um jovem de 31 anos em um vagão do Metrô. Rafael Cruz foi retirado do transporte público e agredido com um mata-leão.
Rafael é conhecido por recitar poesias nos vagões e alegou "abordagem abusiva e agressiva, prática de conduta preconceituosa e suspeita de racismo". O caso foi registrado como vias de fato e crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, com base na lei de racismo.
Após o episódio, o Metrô informou que o homem foi abordado por tentar trocar de vagão, segurar a porta do trem e disse ainda que o rapaz estava sem máscara de proteção contra a Covid-19.
Ataques a pessoas LGBTQIA+
Agredida e xingada na rua
Transexual é agredida na saída de bar de São Sebastião, no DF
Em novembro, uma transexual de 27 anos ficou ferida após ser agredida e xingada na saída de um bar, na região de São Sebastião, no Distrito Federal. A apresentadora Scarlet Vasconselos foi abordada na rua por um homem e três mulheres.
Após o ataque, ela gravou um vídeo mostrando os ferimentos (veja acima). O caso é investigado pela 30ª Delegacia de Polícia, de São Sebastião, mas os suspeitos não foram presos.
Scarlet Vasconcelos foi agredida na saída de um bar de São Sebastião, no DF
Arquivo pessoal
A apresentadora diz que foi ao estabelecimento com um casal de amigos na noite de domingo, 14 de novembro. Durante a madrugada, ela saiu do bar para "tomar um ar e checar o celular", quando foi abordada na rua.
De acordo com ela, o suspeito, a todo momento, a xingava de "nomes absurdos", como "viado desgraçado" e de "demônio".
"Foram sim agressões motivadas por transfobia", disse Scarlet.
Advogado e biomédico indiciado
Postagem LGBTfóbica feita por advogado do DF
Instagram/Reprodução
Em setembro, um biomédico e advogado foi indiciado pelo crime de homotransfobia. Segundo a Polícia Civil, o homem fazia diversas postagens ofensivas a pessoas LGBT nas redes sociais.
Em uma das publicações, ele associou homossexualidade à violência doméstica e, em outra, defendeu "terapia de reorientação sexual", conhecida como "cura gay". A técnica é reprovada por especialistas e proibida pelo Conselho Federal de Psicologia.
Segundo a Polícia Civil, os investigadores constataram, pelos perfis do indiciado, além da promoção sistemática de declarações de ódio contra a comunidade LGBTQIA+, a pseudo narrativa científica de 'cura gay', propondo, inclusive, terapia de 'reorientação sexual'.
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À época, uma promotora do Ministério Público do DF, que já compartilhou diversas postagens com teor preconceituoso contra pessoas LGBTQIA+, chegou a pedir à Justiça o arquivamento do inquérito contra o biomédico.
Na redes sociais da promotora Marya Olímpia Ribeiro Pacheco além de postagens contra a comunidade LGBT, ela faz críticas à vacinação contra Covid-19.
Como denunciar
Fachada da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial (Decrin) no DF
Agência Brasília/Divulgação
Há canais específicos para denúncias de violência, como a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, Orientação Sexual, Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) e a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Veja:
Decrin
Telefone: (61) 3207-4242
Endereço: Setor Policial Sul (SPO), no Complexo da Polícia Civil, ao lado do Parque da Cidade.
Orientação: denúncias também podem ser feitas pelo telefone 197 ou pela delegacia eletrônica.
Disque 100
Canal do Governo Federal para receber, analisar, e encaminhar denúncias de violação de direitos humanos, inclusive dos LGBTs.
Disque 162
Canal de ouvidoria do Governo do Distrito Federal, responsável por receber sugestões, críticas e denúncias, além de elogios.
Conselho Distrital de Promoção de Defesa dos Direitos Humanos
Telefone: (61) 3213-0696
Endereço: SAAN, quadra 1, lote C, 3° andar.
E-mail: cdpddh@sejus.df.gov.br
Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h e das 14h às 18h.
Núcleo de Enfrentamento à Discriminação
Telefone: (61) 3343-9998
E-mail: cndh@mpdft.mp.br
Endereço: Sede do MPDFT, no Eixo Monumental, Praça do Buriti, lote 2.
Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM)
Endereço: EQS 204/205, Asa Sul, Brasília
Telefones: (61) 3207-6195 e (61) 3207-6212
Delegacia de Atendimento Especial à Mulher (DEAM II)
Endereço: QNM 2, Conjunto G, Área Especial, Ceilândia Centro
Telefone: (61) 3207-7391
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)
Endereço: Eixo Monumental, Praça do Buriti, Lote 2, Sala 144, Sede do MPDFT
Telefones: (61) 3343-6086 e (61) 3343-9625
Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid) da Polícia Militar
Contato: 3190-5291
Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal
Contato: 180
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Redação

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