Prefeitura do Rio não recebe propostas para o novo modelo de bilhetagem eletrônica dos ônibus

A Prefeitura do Rio esperava colocar em funcionamento o novo modelo de cobrança do transporte rodoviário em 2022. Com a falta de propostas, o município informou que a licitação deverá ser republicada em breve. Prefeitura do Rio não recebe propostas para o novo modelo de bilhetagem eletrônica dos ônibus
A Prefeitura do Rio de Janeiro não recebeu propostas para o novo modelo de bilhetagem eletrônica dos ônibus do município. A licitação para implementação do novo sistema foi lançada em agosto e o objetivo era contratar uma nova empresa para substituir o atual modelo de cobrança (Riocard).
Segundo a prefeitura, o atual esquema, que começou na primeira gestão do prefeito Eduardo Paes, é pouco transparente e levou o setor ao colapso.
Em junho, a Secretária Municipal de Transporte dizia que esperava colocar o novo sistema para funcionar já no ano que vem. Contudo, com a falta de empresas interessadas em assumir o serviço, o edital deve passar por adaptações antes de ser publicado novamente.
Os gestores municipais disseram que vão retomar os debates com empresários do setor para entender o que pode ser atualizado no documento de licitação.
Novo modelo proposto
A prefeitura tenta, desde o início do ano, reorganizar o sistema de transporte de ônibus do Rio. As autoridades municipais acreditam que uma nova gestão da bilhetagem eletrônica será essencial para melhorar o serviço.
Prefeitura do Rio publica edital de licitação para o novo modelo de bilhetagem eletrônica na cidade
O sistema atual se baseia no contrato assinado em 2010 – no primeiro mandato do próprio prefeito Eduardo Paes. Atualmente, as empresas de ônibus recebem diretamente a tarifa dos passageiros.
A ideia do novo modelo é que a bilhetagem deixe de ser de responsabilidade das empresas, deixando-as responsáveis apenas pela operação dos ônibus.
A prefeitura quer acabar com o pagamento em dinheiro e fazer um cartão de pagamento, como já acontece no VLT, o veículo leve sobre trilhos.
Na proposta da prefeitura, o valor pago no cartão iria para um sistema administrado por uma empresa independente. A empresa repassaria os valores à prefeitura, descontados o custo da operação.
Em seguida, o município ficaria responsável por pagar às empresas de ônibus pela quilometragem rodada. O modelo não considera o número total de passageiros.
Caso a empresa tenha poucos passageiros em determinada linha de ônibus, o município teria que continuar pagando às empresas e elas não teriam prejuízo, como alegam atualmente. Se muita gente usar esse tipo de transporte, o lucro ficaria com a prefeitura.
A atual gestora do serviço de bilhetagem eletrônica dos ônibus do Rio, a empresa Riocard, foi impedida de participar da atual licitação por decisão da Justiça, que aceitou um pedido da Procuradoria do Município do Rio de Janeiro.
Passageiros reclamam
Enquanto um novo modelo de cobrança dos ônibus não é definido, os passageiros seguem denunciando problemas, como a falta de linhas, superlotação e veículos sem manutenção.
"É um caos, realmente é bem complicado, é cheio, tumultuado, é muito ruim", comentou um passageiro.
Como justificativa para os problemas, a prefeitura disse que a volta das atividades da população e das aulas presenciais aumentou o número de passageiros.
Contudo, fontes ouvidas pelo RJ2 dizem que o real motivo é que os ônibus articulados estão quebrando e não estaria havendo reposição. O grande problema seria a falta de recursos para a manutenção.
O site que acompanha a intervenção da prefeitura no BRT mostra uma queda no número de ônibus articulados nos últimos dias. No dia 26 de novembro, eram 204 ônibus circulando na cidade. Nesta terça-feira (7), esse número caiu para 195.
"BRT no horário de pico é uma loucura. No calor, a gente morre sufocada e tem muito ônibus velho, lata velha. É muito cheio e a gente não consegue nem respirar", comentou outro passageiro.
O que dizem os envolvidos
A prefeitura informou, em nota, que está usando ônibus normais pelo aumento da demanda e que a situação no BRT só será resolvida em definitivo com a chegada de novos veículos articulados depois da nova licitação.
O município informou ainda que atualmente são 215 ônibus articulados que podem circular. E que nesta terça, foram liberados 196.
Segundo a prefeitura, além de serem reservas, os que não circulam passam por manutenções de rotina.
A Riocard informou que considera um erro a decisão da prefeitura de não permitir sua participação na licitação. A empresa disse também que apoia a proposta apresentada no edital que exige a contratação de uma auditoria independente para dar total transparência à bilhetagem eletrônica e reafirma que está aberta ao diálogo com o poder municipal para promover as melhorias que sejam necessárias para a evolução contínua do sistema.

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Redação

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