Prefeito de Santa Maria na época do incêndio e promotor que processou familiares são ouvidos no 8º dia do Júri da Kiss

Prefeito de Santa Maria na época do incêndio e promotor que processou familiares são ouvidos no 8º dia do Júri da Kiss


Depoimentos de Cezar Schirmer e Ricardo Lozza estão previstos para esta quarta (8). Também devem ser ouvidos Fernando Bergoli e Geandro Kleber de Vargas Guedes, testemunhas do réu Mauro Hoffmann. Ex-prefeito Cezar Schirmer e promotor Ricardo Lozza
Rodrigo Ziebell/SSP e MP/Divulgação
O julgamento da boate Kiss, em Porto Alegre, pode encerrar a fase de depoimentos de vítimas e testemunhas nesta quinta-feira (8). Para o 8º dia do julgamento, estão previstas as inquirições ao ex-prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, e o promotor de justiça Ricardo Lozza, ambos apontados pela defesa de Elissandro Spohr, sócio-proprietário da casa noturna.
Além deles, devem ser ouvidas duas testemunhas de defesa de Mauro Hoffmann, o outro sócio da Kiss: Fernando Bergoli e Geandro Kleber de Vargas Guedes.
AO VIVO: Acompanhe julgamento dos réus no caso Kiss
Schirmer, atualmente, é secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos de Porto Alegre. Ele deve abrir a sessão a partir das 9h — embora a ordem possa ser alterada no começo dos trabalhos pelo juiz Orlando Faccini Neto.
Já Lozza deve fechar os 28 depoimentos, incluindo sobreviventes e testemunhas de acusação e de defesa. Ouvido pelo g1 quando foi arrolado, ele preferiu não comentar o assunto. "Eu não tenho conhecimento e nenhuma manifestação a fazer", disse.
MP denuncia familiares de vítimas da Kiss por calúnia
Fernando Bergoli é publicitário e Geandro Kleber de Vargas Guedes trabalhava em uma empresa de distribuição de bebidas.
O que disseram os sobreviventes
Kátia: 'comecei a gritar que não queria morrer', diz ex-funcionária que teve corpo queimado
Kelen: 'última vez que corri foi para tentar me salvar', diz sobrevivente que teve perna amputada
Emanuel: 'não soou alarme', conta sobrevivente especialista em prevenção de incêndio
Jéssica: 'vi quando pegou a faísca', conta sobrevivente que perdeu irmão
Lucas: 'eu desmaiei, fui muito pisoteado', diz DJ da boate
Érico: 'ajudei até o final', conta barman que ajudou no socorro às vítimas
Maike: 'parecia que estava respirando fogo'
Cristiane: 'aquilo era um filme de terror'
Delvani: 'fui caindo e me despedindo da minha família'
Doralina: 'lembro de muito grito, muita confusão', diz ex-segurança
Willian Renato: 'Ele queria voltar', diz sobrinho sobre Kiko Spohr
Nathália: 'fiquei preocupada com a gravidez', relata esposa de Kiko sobre incêndio
Chefe dos bombeiros e outras duas testemunhas falam na terça
O primeiro depoimento de terça foi o do ex-técnico de som da banda Gurizada Fandangueira, Venâncio da Silva Anschau, de 40 anos. Questionado pelo juiz Orlando Faccini Neto se alguém havia alertado o público sobre o incêndio no palco, Venâncio contou que desligou o áudio do ao ver que o fogo tinha iniciado.
"Eu não tenho dimensão, não imagino o que esteja do que aconteceu e eu desligo os microfones. Eu desabilitei. Errei", disse, chorando.
Venâncio Anschau, técnico da banda Gurizada Fandangueira, durante o julgamento do caso Kiss
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul/Reprodução
Durante a tarde, o júri foi retomado com depoimento da arquiteta Nívia Braido, que foi procurada pelo réu Kiko Spohr para alterações no interior da boate. Ela disse em plenário que alertou o proprietário sobre a necessidade de ter um responsável técnico para uma obra que foi realizada na boate.
O comandante do Corpo de Bombeiros de Santa Maria na época do incêndio também foi ouvido. Gerson da Rosa Pereira, de 56 anos, confirmou que o alvará da Kiss estava vencido desde agosto de 2012. Porém, segundo ele, isto não impedia que a boate operasse.
"Na época, não impedia de continuar operando. Tinha que entrar no Corpo de Bombeiros com pedido de renovação e os bombeiros iam para fazer a vistoria para ver se o projeto com a obra construída e projetada correspondiam um com outro e treinamento de pessoal. Mas nada obstruía que continuasse com as atividades", acrescentou.
Comandante dos bombeiros na época do incêndio diz que Kiss estava com alvará vencido
O último depoimento do dia foi o de Nilvo José Dornelles, ex-proprietário de outra casa noturna, a Ballare, em que o grupo Gurizada Fandangueira se apresentava em Santa Maria. Ele confirmou que o uso de pirotecnia era comum entre a banda e demais artistas musicais que atuavam na casa.
"Sempre. E não só eles, as outras bandas também", disse.
Nilvo falou que havia renovado o alvará de funcionamento de sua casa noturna na quarta-feira anterior à tragédia na Kiss. Ele citou, ainda, que comprou o prédio pronto, mas que tinha materiais semelhantes à Kiss, como lã de vidro e espuma.
O que disseram as testemunhas
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Quem são os réus?
Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, 38 anos, era um dos sócios da boate
Mauro Lodeiro Hoffmann, 56 anos, era outro sócio da Boate Kiss
Marcelo de Jesus dos Santos, 41 anos, músico da banda Gurizada Fandangueira
Luciano Augusto Bonilha Leão, 44 anos, era produtor musical e auxiliar de palco da banda
Entenda o caso
Os quatro réus são julgados por 242 homicídios consumados e 636 tentativas (artigo 21 do Código Penal). Na denúncia, o Ministério Público havia incluído duas qualificadoras — por motivo torpe e com emprego de fogo —, que aumentariam a pena. Porém, a Justiça retirou essas qualificadoras e converteu para homicídios simples.
Para o MP-RS, Kiko e Mauro são responsáveis pelos crimes e assumiram o risco de matar por terem usado "em paredes e no teto da boate espuma altamente inflamável e sem indicação técnica de uso, contratando o show descrito, que sabiam incluir exibições com fogos de artifício, mantendo a casa noturna superlotada, sem condições de evacuação e segurança contra fatos dessa natureza, bem como equipe de funcionários sem treinamento obrigatório, além de prévia e genericamente ordenarem aos seguranças que impedissem a saída de pessoas do recinto sem pagamento das despesas de consumo na boate".
Já Marcelo e Luciano foram apontados como responsáveis porque "adquiriram e acionaram fogos de artifício (…), que sabiam se destinar a uso em ambientes externos, e direcionaram este último, aceso, para o teto da boate, que distava poucos centímetros do artefato, dando início à queima do revestimento inflamável e saindo do local sem alertar o público sobre o fogo e a necessidade de evacuação, mesmo podendo fazê-lo, já que tinham acesso fácil ao sistema de som da boate".
VÍDEOS: Caso Kiss

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Redação

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