Polícia indicia homem por estupro de crianças em condomínio de Canoas


Investigação dá conta de que ele usava filho para atrair crianças. Ao menos três vítimas de abuso foram identificadas; sendo duas, filhas de vizinhos. Indivíduo está preso preventivamente. Defesa diz que indiciado é inocente. Polícia Civil de Canoas apresentou detalhes da investigação
Reprodução/RBS TV
A Polícia Civil indiciou um homem pelo estupro de crianças em um condomínio de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ao todo, três vítimas de abuso foram identificadas. O anúncio foi feito pelo delegado Pablo Rocha, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), durante coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (29).
O homem está preso preventivamente desde o dia 7 de novembro. O advogado Samuel Aguiar da Cunha, que defende o indiciado, afirma que segue convicto da inocência do cliente e que vai se manifestar a respeito da decisão policial durante a tarde.
Para o delegado Rocha, as provas obtidas pela polícia durante a investigação comprovam que houve crime, apesar dos laudos do Instituto Geral de Perícias (IGP) não apontarem violência sexual.
"Foram cerca de dois meses de investigação, diversas provas foram coletadas e pessoas ouvidas. Um trabalho complexo que acabou resultando na prisão preventiva do suspeito. Não houve lesões nas vítimas porque o indiciado era cuidadoso e que estudou como cometer os crimes sem ser identificado", disse.
Além disso, o indivíduo vai responder por fraude processual, manutenção de arquivos de pornografia e facilitação do acesso ao conteúdo por crianças.
O homem não teve a identidade divulgada porque, segundo o delegado Souza, a legislação não permite. Ele justifica que não se trata de um tratamento especial, afinal, ele responderá pelo crime de estupro, mas uma forma de preservar as crianças. Não houve divulgação, também, sobre para qual casa prisional ele foi encaminhado.
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As denúncias e a investigação
O delegado Rocha disse que os crimes aconteciam pelo menos desde 2016. Duas das vítimas de abuso viviam com a família em um condomínio de Canoas e eram vizinhas do suspeito e da esposa. Os casais tinham uma relação de amizade. Ele preferiu não entrar em detalhes quanto às circunstâncias da terceira criança. No entanto, divulgou que o indiciado utilizava o filho para atrair os menores.
Uma das crianças contou para uma colega de escola que sofria abusos, o que chegou ao conhecimento da instituição de ensino. Os pais dela foram chamados para uma conversa e o alerta levou os dois a buscar a polícia.
No dia 28 de outubro, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do suspeito. Na ocasião, provas foram coletadas e um cartão de memória que havia sido separado para análise a ser feita pelo IGP desapareceu. Ele era compatível com uma câmera de vídeo portátil que também foi apreendida.
"Um perito do IGP trabalhava no local, havia separado o cartão e ele desapareceu. A esposa do suspeito havia entrado no cômodo, por isso, revistamos ela, mas não encontramos nada. Revistamos outras pessoas, bem como os próprios policiais, e também não encontramos nada. Ainda queremos descobrir onde foi parar esse cartão", diz o delegado.
Segundo a polícia, a esposa do suspeito teria participação no sumiço do cartão. No entanto, não sabia dos crimes praticados pelo marido.
A movimentação policial no condomínio levou um segundo casal a procurar a polícia. Foi quando a segunda criança foi identificada. Após, uma terceira.
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Como denunciar
Delegada Adriana Costa, da Delegacia de Polícia Metropolitana, afirma que suspeitas de abuso sexual devem ser denunciadas à polícia.
"É por meio de denúncias que conseguimos tomar conhecimento de casos e impedir que os abusos continuem. O trauma que sofre uma vítima é gigantesco. Se estende, muitas vezes, por toda uma vida e há repercussões no âmbito familiar, profissional, das relações sociais em geral. Então, denuncie", orienta.
Casos de abuso sexual contra crianças podem ser denunciados nos telefones 181 e 197, além do WhatsApp (51) 98444-0606. Os endereços e contatos das delegacias da Criança e do Adolescente podem ser encontrados no site da Polícia Civil.
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