Pai é imobilizado em confusão por demora de até 10h no único hospital público para crianças em Boa Vista

Pai é imobilizado em confusão por demora de até 10h no único hospital público para crianças em Boa Vista


Cerca de 50 pessoas, entre pais, mães e crianças aguardavam atendimento no local, relatou uma mãe. Responsável pela unidade, prefeitura de Boa Vista informou que está ciente e tomando todas as medidas necessárias e cabíveis para resolver essa situação. Unidade estava um caos, diz vereador. Demora de até 10h por atendimento no Hospital da Criança tem confusão e homem imobilizado
O pai de uma criança que aguardava pelo atendimento da filha pequena no Hospital da Criança Santo Antônio foi imobilizado dentro da unidade durante uma confusão causada pela demora na noite dessa terça-feira (28), em Boa Vista (assista acima). Administrado pela prefeitura da capital, a unidade é a única que atende crianças de todos o estado e tinha só um médico de plantão para suprir a demanda.
A cabeleireira Catarina Pinto, de 27 anos, estava na unidade com a filha, de 7, também esperando para ser atendida, presenciou e filmou a cena. Segundo ela, a confusão ocorreu porque o homem começou a falar alto e reclamar da demora.
"Ele começou a falar 'vocês não tem um pingo de vergonha nessa cara, vocês trabalham aqui e não tão fazendo nada, isso aqui é dinheiro público, do nosso dinheiro, do nosso bolso'", relatou Catarina, acrescentando que "tinha gente lá que estava horas, horas e horas" esperando, e que, no momento, "todo mundo estava concordando com as coisas que ele falava".
Pai foi imobilizado no Hospital da criança
Arquivo Pessoal/Catarina Pinto
Nos vídeos, gravados por Catarina, foram registrados o homem exaltado e cobrando que fosse atendido: "Essa mulher chegou 10h [da noite] e nunca foi atendida, imagina eu que cheguei agora", disse ele, por volta das 3h da madrugada, quando a confusão começou.
Em nota, a Prefeitura de Boa Vista lamentou o ocorrido e disse que "o pai da criança chegou de forma alterada na recepção do hospital".
Em um trecho do vídeo, uma servidora do hospital tenta acalmar o homem falando que “aqui a gente tá trabalhando”, e ele rebate “e você acha que eu não trabalho também amanhã, será que se amanhã eu faltar o trabalho?”.
Mãe registrou emergência do Hospital da Criança lotado
Catarina Pinto/Arquivo pessoal
Gritaria e imobilização
De acordo com Catarina, o momento que culminou na revolta do homem foi quando ele sentou para esperar o atendimento e uma criança havia vomitado próximo ao acento em que ele estava sentado.
Ela disse ele começou a atacar os pais que aguardavam no local e uma das mães pediu para que ele fizesse silêncio pois já era madrugada e as crianças estavam dormindo. A própria cabeleireira conta que foi chamada de "abestada" pelo homem.
"Uma mãe chegou para ele e falou 'dá para você baixar o tom de voz pois as mães estão cansadas e as crianças estão dormindo, e ele falou 'eu não vou me calar não'. Aí foi quando os 'policiais' e a moça da triagem foram lá tentar acalmar ele, falaram 'não precisa, você vai ser atendido', e ele disse 'quer me bater? bate na minha cara!'. Ele perdeu a razão. Teve uma hora que ele me xingou e disse 'essa aqui é outra abestada', eu falei 'você me respeita!'".
Pai é imobilizado durante confusão por demora no Hospital a Criança em Boa Vista
No momento em que foi imobilizado, ele disse “minha filha, não se preocupe, minha filha”. Após ser imobilizados pelos vigilantes da unidade, ele levado para fora do hospital. Catarina relata que ele foi derrubado ao chão na frente da filha.
De acordo com a cabeleireira, a revolta desse pai foi necessária pois não haviam médicos no local e a situação foi descrita por ela como "revoltante".
"Ele chegou muito revoltado, assim como as mães lá, mas ninguém tem coragem de fazer o que ele fez. Foi preciso, pois realmente não tem médico no hospital. Está um absurdo. As crianças vão ter que morrer para eles resolverem? São umas cinco salas com a luz apagada, só um médico, não tem condição. Ele teve a coragem de gritar, coragem que eu não tenho pois a minha filha estava morrendo e eu precisa calar a boca. Só que ele começou a perturbar as crianças, as mães, começou a gritar com os profissionais".
A filha dele, de acordo com a prefeitura, foi classificada na cor amarela, entrando em seguida na segunda recepção da unidade hospitalar para ser atendida pelo médico. Mesmo com a criança em atendimento, "o pai continuou alterado, xingando inclusive os pais que estavam aguardando", conforme a prefeitura.
Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde disse que "não pactua com nenhum tipo de violência ou brutalidade em nenhuma de suas dependências da rede municipal de saúde, e que preza pelo atendimento de qualidade e acolhimento humanizado, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde."
Apensas um médico na emergência
A cabeleireira Catarina disse que havia ao menos 50 pessoas, entre pais e crianças, esperando para serem atendidas na recepção. Ela conta que levou a filha à unidade pois a menina estava com febre de 43º, mas só conseguiu ser atendida cerca de 7 horas depois.
"Fiquei esperando, com classificação laranja. Tinha muita criança em classificação laranja e não chamavam os números, não passava daquele número que estava na tela. Teve uma mulher que desistiu do atendimento porque eles não atendiam. Ela desistiu mesmo com a filha doente pois estava aguardando há muito tempo. Então assim, realmente é revoltante, né?".
Imagens do hospital lotado começaram a circular nas redes sociais e, com isso, o vereador Ítalo Otávio (Republicanos) esteve na unidade para uma inspeção. Ele divulgou que a unidade estava "um caos".
"Cheguei, por volta de 03:00, e segundo os próprios funcionários “hoje não era um dia de grande demanda”, mas tinha muita gente. E as pessoas que estavam lá chegavam a 10 horas de espera por atendimento. Um caos!", afirmou.
O parlamentar fez um poste nas redes sociais onde afirmou que "sem nenhum responsável pelo hospital, conversei com os colaboradores que me relataram que o certo seria quatro médicos no local. Onde, quando eu cheguei haviam dois e quando saí (por volta de 04:00) só tinha UMA MÉDICA atendendo na EMERGÊNCIA."
Sobre a demora de mais de 10 horas para atender as crianças, a prefeitura de Boa Vista informou que está ciente e tomando todas as medidas necessárias e cabíveis para resolver essa situação no único hospital infantil do estado.
Recentemente, segundo a prefeitura, foi lançado um edital de licitação de empresa para contratação de médicos, conforme demanda do hospital. Esse processo está em fase de licitação.

Redação

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