Número de internações em UTI por síndrome respiratória aumenta 7 vezes em uma semana em hospital referência na Zona Norte de SP


Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, Hospital da Brasilândia regista salto de 16 pacientes para 117 na UTI nos últimos sete dias. Na enfermaria, eram 23 e, nesta quarta (29), unidade contabilizava 191. O Hospital Municipal da Brasilândia, na Zona Norte de SP
Divulgação/PMSP
O número de internações em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Municipal da Brasilândia, referência em atendimento para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na capital paulista, aumentou sete vezes na última semana. O dado representa uma elevação de 631,25%.
Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo, em 22 de novembro, a unidade hospitalar tinha 16 internações na UTI e 23 na enfermaria causadas por SRAG. Nesta quarta-feira (29), os números já saltaram para 117 e 191, respectivamente.
Ao todo, em uma semana, de 39 pacientes, o hospital passou a acolher 308.
SRAG, gripe e Covid
Por acometerem o sistema respiratório e provocarem sintomas similares (quando esses estão presentes), como congestão nasal e dor de garganta, tanto a Influenza quanto Covid são classificadas como sendo Síndrome Respiratória Aguda Grave.
Portanto, somente a SMS pode dizer se o que provocou o crescimento de casos no hospital da Brasilândia foi a gripe ou outras doenças.
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Levantamento realizado pela GloboNews com base nos dados da SMS revelou que os casos de gripe na cidade de São Paulo dispararam desde o início de dezembro e já representam mais de 20% das internações na capital.
De acordo com a análise, na semana de 12 a 18 de dezembro deste ano, das 920 pessoas internadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na capital paulista, 23% (213 pessoas) tinham Influenza e 4% (37 pessoas) tinham Covid-19.
Na semana anterior, de 5 a 11 de dezembro, das 912 internadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave, 15% (139 pessoas) tinham Influenza e 6% (56 pessoas) tinham Covid-19.
Essa foi a semana que registrou uma inversão entre as hospitalizações por SRAG.
Uma semana antes, entre 28 de novembro e 4 de dezembro, o quadro registrado foi o seguinte: 713 pessoas internadas na cidade com SRAG, sendo 5% (37 pessoas) com Influeza e 6% (46 pessoas) com Covid-19.
Ou seja, ainda havia uma quantidade maior de pessoas hospitalizadas com a Covid-19 do que com Influenza.
Se compararmos com a semana de 20 a 26 de junho deste ano, 66% do total de internados com SRAG (1.516 pessoas) tinham Covid-19 e só 0,13% (3 pessoas) tinham Influenza. Naquela semana, 2.292 pessoas com SRAG foram hospitalizadas em toda a cidade.
"A moral da história aí é ver como os vírus Influenza passaram o ano todo causando muito pouca internação (proporcionalmente aos demais e principalmente em relação a Covid-19) e, nas últimas duas semanas, passou a ter protagonismo entre os internados", explicou Luiz Artur Vieira Caldeira, coordenador da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) municipal.
"No entanto, [a Influenza] é um vírus muito menos grave que a Covid-19. Se não fosse o processo de vacinação contra a Covid, ela (Covid) ainda seria a grande responsável pelas internações."
O levantamento não incluiu os dados da semana de 19 a 25 de dezembro em razão do recesso nos serviços hospitalares, que gerou um atraso nas notificações dos casos, segundo o coordenador da Covisa. É um número que vai mudar muito ainda, o que prejudica qualquer análise, segundo ele próprio.
Vacinação
Por conta do crescimento dos casos, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo ampliou a partir desta terça-feira (28) a campanha de vacinação contra a gripe.
O anúncio foi feito em meio à baixa procura pelo imunizante nos postos: na segunda (27), foram aplicadas apenas 7,6 mil doses da vacina contra Influenza na capital paulista.
A partir de terça, todas as pessoas que ainda não se vacinaram contra Influenza em 2021 poderão receber o imunizante. A regra vale ainda para bebês e crianças a partir de 6 meses de idade. A prefeitura alerta que a campanha é válida enquanto durarem os estoques de vacina nos serviços de saúde.
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A imunização acontece em todas as 469 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), sempre das 7h às 19h. Veja a lista de endereços aqui.
Não há necessidade de intervalo entre a aplicação de vacina antiCovid e contra gripe, segundo a Prefeitura de São Paulo. É possível, inclusive, que ambas sejam aplicadas no mesmo dia.
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