Mudança na cor do mar no Rio: proliferação de algas pode explicar fenômeno, dizem cientistas

Mudança na cor do mar no Rio: proliferação de algas pode explicar fenômeno, dizem cientistas


Pesquisadores de quatro universidades públicas e um instituto afirmam que nenhuma espécie de alga tóxica foi identificada até o momento, mas dados ainda não são conclusivos. Manchas marrons ou vermelhas são avistadas na orla do Rio
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A cor do mar no Rio mudou. Ultimamente, manchas marrons ou vermelhas têm afastado banhistas. Mas, segundo estudos de pesquisadores de universidades públicas, o fenômeno está ligado à proliferação de microalgas de várias espécies – nenhuma tóxica, por enquanto.
"Essa extensa floração que acontece na costa do Rio de Janeiro é incomum por abranger uma grande área geográfica e conter uma elevada abundância de diferentes espécies de microalgas", explicou a professora Silvia Nascimento, do Laboratório de Microalgas Marinhas da UNIRIO.
De acordo com ela, no dia 3 de dezembro a floração foi observada em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, e as água geralmente cristalinas ficaram muito escuras na região.
Equipes de pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) têm atuado em conjunto para analisar amostras coletadas nas praias da capital e em Arraial do Cabo.
A gerente do Núcleo de Vida Marinha da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Simone Penna Firme, afirmou que algumas espécies marinhas podem sofrer com a floração – e que possíveis impactos na saúde humana ainda estão sendo analisados.
"A água da chuva e o lançamento de esgotos domésticos são fonte de nutrientes para essas florações. Os impactos [da floração] na saúde humana não foram verificados, mas recomendamos cautela", ponderou a gerente.
Mudança na cor do mar afasta banhistas
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Priscila Lange, professora do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ, reforçou a recomendação de Penna Firme:
"Como biólogas marinhas não podemos fazer recomendações referentes à saúde pública. O que podemos recomendar é cautela e monitoramento das espécies presentes na floração".
Crescimento excessivo
Uma nota técnica do grupo de pesquisadores informa que desde o início de novembro as águas das praias da capital fluminense têm apresentado manchas escuras ou avermelhadas.
As manchas, diz o texto, são causadas pelo "crescimento excessivo de microalgas marinhas, que constituem o fitoplâncton". A cor na água, então, seria causada pelos pigmentos das microalgas que podem deixar a água vermelha, marrom (escuro ou claro) ou verdes.
O estudo também aponta que, "quando as condições de luz, temperatura e nutrientes são favoráveis, esses micro-organismos podem se multiplicar e formar manchas na água do mar".
Outro fator que favorece a proliferação é a água da chuva e o lançamento de esgotos domésticos, que segundo a nota técnica são fonte de nutrientes para essas florações.
Além disso, "nutrientes também são fornecidos em eventos naturais como a ressurgência", que é quando "águas oceânicas profundas ricas em nutrientes emergem para a superfície onde existe luz disponível para a fotossíntese".
Ainda que em outros locais do planeta é possível que haja a floração de algas nocivas, os pesquisadores afirmam que no fenômeno atual nenhuma espécie tóxica foi identificada até o momento. Mais análises de amostras coletadas estão sendo feitas pelos cientistas.

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Redação

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