Montador de móveis é vítima de racismo em São Luís

Montador de móveis é vítima de racismo em São Luís


Jarenildo Silva foi vítima de racismo no último sábado (4) em São Luís, quando ao chegar na casa do cliente para realizar um serviço um grupo de amigos do proprietário fazia uma comemoração e um deles iniciou uma provocação sobre Jarenildo estar atrasado; Provocação evoluiu para insultos e agressões físicas. Montador de móveis é vítima de racismo em São Luís
O montador de móveis Jarenildo Silva foi vítima de racismo no último sábado (4) em São Luís, quando ao chegar na casa do cliente para realizar um serviço um grupo de amigos do proprietário fazia uma comemoração e um deles iniciou uma provocação sobre Jarenildo estar atrasado. A provocação evoluiu para insultos e agressões físicas.
O montador disse que se sentiu humilhado, pois nunca tinha passado por uma situação de racismo tão clara. “Eu já tinha sim em outros momentos, em outros lugares alguém apontar o dedo, chamar de ‘neguinho’, mas chegar ao ponto que chegou não. Mais de 20 minutos de gritaria, muito palavrão, negro burro, seu merda, você nunca vai chegar a lugar nenhum, você nunca vai pisar no lugar onde eu piso, foi muito humilhante”, desabafou.
Jarenildo registou um boletim de ocorrência e em seguida procurou a Comissão de Promoção da Igualdade da Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA). A Comissão registrou um aumento de denúncias de crimes raciais de quase três vezes entre 2019 e 2021.
O presidente da Comissão da Verdade Sobre a Escravidão da OAB, Erik Moraes, contou que o racismo no Maranhão se caracteriza por ser do tipo recreativo. Ou seja, que é o racismo de brincadeira, que possui o elemento do humor para que você possa exercida a violência e sem atribuições crimes.
Jarenildo Silva registou um boletim de ocorrência após as agressões
Reprodução/TV Mirante
“No caso a gente vê que tem uma característica muito maranhense, que é o racismo recreativo, que é a abertura, que é a brincadeira, que é o elemento do humor para que você possa exercer a sua violência e ali depois a gente percebe um curso de crimes. Tem a injúria racial, tem ali uma contravenção penal com uma via de fato. Então tudo isso precisa ser analisado pela polícia com muita calma e os elementos haja vista que é um local que tem bastante câmeras, muitas pessoas para serem ouvidas e a polícia vai ter todo esse trabalho”, explicou o presidente Erik Moraes.
O racismo está tipificado como um crime específico, mas ele se manifesta também nos dados de outros crimes no Brasil. Segundo o Atlas da Violência, a cada 10 pessoas assassinadas no Brasil, 7 são negras. Em 2019, elas representaram 77% das vítimas de homicídio.
A socióloga Joana Coutinho pontua que as punições para o racismo ainda são muito raras, apesar dele já ser considerado um crime. “O racismo é considerado crime. Ele é um crime. Mas as punições pelo racismo são tão raras que as pessoas se sentem muito livres para cometerem atos de racismo e por outro lado, em geral, as vítimas de racismo não denunciam e não denunciam exatamente pelas mesmas razões”.
O montador Jarenildo Silva não só denunciou o crime como também publicou um vídeo sobre o caso nas redes sociais. A coragem para enfrentar a repercussão da agressão que sofreu, vem da família. “Hoje fui eu. Amanhã quem pode ser? O meu filho, meu sobrinho. Ou isso pode parar lá na frente ou essas agressões físicas e verbais lá na frente podem ser bem piores”, finalizou.

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Redação

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