Innovare premia oito práticas jurídicas, entre mais de 630 projetos inscritos

O prêmio, que está na 18ª edição, tem o apoio do Grupo Globo e reconhece iniciativas que deixam o Poder Judiciário mais próximo do cidadão. Innovare premia oito práticas jurídicas, entre mais de 630 projetos inscritos
A 18ª edição do Innovare premiou, nesta terça-feira (7), oito práticas jurídicas entre mais de 630 projetos inscritos. O Prêmio Innovare tem o apoio do Grupo Globo e reconhece iniciativas que deixam o Poder Judiciário mais próximo do cidadão.
Agora, Marcelle e Júlia estão conectadas. Até quatro meses atrás, o acesso às aulas online era na casa da tia, longe. A avó Sueli de Menezes Marques que o diga.
“Levava, esperava, uma hora, uma hora e pouco. Esperava e trazia de volta. Se estivesse chovendo, se estivesse sol, teria que levar, né? Porque eu não tinha internet”, contou.
As netas de Sueli estão entre os 720 estudantes beneficiados pelo projeto "Conectados pela Educação", que promove a instalação de internet gratuita nas residências de alunos vulneráveis. Vencedor do Prêmio Innovare, na categoria “Ministério Público”.
A Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude de Guaíba, no Rio Grande do Sul, teve a iniciativa e realizou o projeto junto com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente da cidade. A ideia surgiu no início da pandemia com as escolas fechadas.
“A nossa preocupação, naquele momento, era de propiciar que as crianças e adolescentes, alunos da rede pública de Guaíba, em situação de maior vulnerabilidade social, pudessem ter o mesmo acesso que, por exemplo, os alunos da rede privada. Nós verificamos que 20% da rede pública municipal não tinha nenhum acesso à internet e, portanto, nenhum acesso à educação”, explica a promotora Ana Luiza Domingues de Souza Leal, autora do projeto.
O vencedor na categoria “Tribunal” é o “Programa de Enfrentamento à Desinformação nas Eleições”. As fake news brotaram na campanha de 2018. O Tribunal Superior Eleitoral fez um mutirão para combater a mentira na eleição seguinte, em 2020.
“A mentira acaba gerando uma falsa percepção do eleitor e isso pode até influenciar no resultado do processo eleitoral”, afirma Marco Antônio Vargas, juiz auxiliar da presidência do TSE.
O TSE fez parceria com mais de 60 organizações e, assim, surgiu o maior e mais inovador projeto contra as fake news do mundo criado por um organismo eleitoral. O trabalho é municiar o eleitor de informação verdadeira.
“A forma de combater a desinformação é com a informação correta”, diz o juiz.
E o Prêmio Destaque, este ano, foi para uma iniciativa em Cristalina, Goiás. Duas palavrinhas dão nome ao projeto "Com Viver". Escritas separadamente, mas foram capazes de juntar dois mundos: o das pessoas com deficiência e o de gente que não vê limites para lutar pela inclusão.
No mundo de Mateus, que tem autismo leve, o futuro era incerto até surgir o projeto na vida dele, diz a mãe Lúcia Alves de Almeida.
“Após ter terminado o ensino médio, eu me vi sem saber como seria o Mateus no trabalho, na área do trabalho. E o projeto ‘Com Viver’ veio no momento certo porque deu para ele a ocupação”, conta Lúcia Alves de Almeida.
Mateus e outros voluntários também transformaram o mundo dos servidores do Tribunal.
“Eles mudaram o nosso ambiente e nós também conseguimos tocar a vida deles”, afirma o juiz Thiago Inácio de Oliveira, autor do projeto.
A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é o destaque do prêmio deste ano. Experimento que vem abrindo portas para alunos da Apae. Oito trabalham nos gabinetes da Comarca.
Os pais do projeto são o juiz Thiago Inácio e a mulher dele, a juíza Priscila Lopes da Silveira.
“É uma casa marcada por conflitos, por brigas judiciais, e a presença deles, a maneira como que eles desempenham o trabalho, com leveza de alma e retidão de caráter, contagia a todos”, dez a juíza Priscila Lopes da Silveira.
Essas e outras iniciativas da área jurídica são a razão do Prêmio Innovare. Há 18 anos, o prêmio destaca as boas ideias colocadas em prática por advogados, defensores, promotores, magistrados, profissionais dispostos a aprimorar o sistema da Justiça em benefício do cidadão. Até esta terça-feira, já foram premiadas 254 práticas entre mais de 7 mil trabalhos.
Mais uma vez, por causa da pandemia, a cerimônia de premiação foi por videoconferência. Mesmo à distância, emoção entre os finalistas: 12 práticas disputaram oito categorias.
O prêmio mais importante da Justiça brasileira é uma realização do Instituto Innovare, da Secretaria Nacional de Justiça e de associações jurídicas com o apoio do Grupo Globo.
“Eu estou profundamente emocionado, porque são práticas de um alcance social, de um alcance humano muito grande. Uma humanidade muito grande. De, realmente, as pessoas buscando entender os dramas que existem na sociedade e tendo a iniciativa de resolver. Ao invés de esperar que os outros resolvam, elas tendo a iniciativa de resolver. Isso é o que o Innovare sempre buscou: identificar essas práticas, disseminá-las e incentivar com que as pessoas adotem cada vez mais para que a gente viva em um país cada vez melhor”, destaca Pedro de Aguiar de Freitas, vice-presidente do Instituto Innovare.
“O Innovare vai garimpando nos rincões, em todas as partes do país, projetos, programas, práticas efetivamente aprimoradoras da distribuição de Justiça aos destinatários do sistema de Justiça como um todo e, com prioridade para esse tema conjugado da igualdade e da diversidade, a fim de otimizar essa combinação de igualdade com diversidade. Porque dessa otimização resulta uma inclusão de segmentos sociais historicamente desfavorecidos”, enfatiza Carlos Ayres Britto, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal.
“A humanidade é um projeto unitário e nós temos que ter compromisso de trazer toda gente. Acho que esse tema desse ano da diversidade e da inclusão social é um alento para nós vermos que o Brasil é um país que, quando a gente coloca as pessoas certas nos lugares certos, tudo funciona bem”, diz o ministro Luís Roberto Barroso, do STF.

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Redação

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