Incerteza com a economia tem longo prazo desafiador, diz FGV

A economia, no momento, dá sinais de um contexto complicado para 2022, com inflação em patamar elevado e sem sinais de arrefecimento; e mercado de trabalho ainda em gradual recuperação, e sem retomada robusta de renda, conforme a entidade. Economista: 'Perspectiva de piora da economia já afeta otimismo de empresários para 2022'
Com continuidade de menor número de mortos e de casos por covid-19 no país, a incerteza do mercado com a economia brasileira manteve trajetória de queda no último mês do ano – mas a continuidade desse recuo no longo prazo é incerta.
Isso porque, mesmo com possível melhora no quadro sanitário relacionado à pandemia, o contexto macroeconômico segue desafiador, com inflação em alta e ausência de retomada robusta no mercado de trabalho, afirmou Anna Carolina Gouvêa, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ela fez as observações ao comentar sobre o recuo de 7 pontos no Indicador de Incerteza da Economia – Brasil (IIE-Br), para 122,3 pontos. Além de ser terceira retração consecutiva e a mais intensa desde maio desse ano (-9,5 pontos), a queda levou o índice ao menor patamar desde agosto (119,6 pontos).
"No curto prazo, [o indicador] deve voltar ao patamar pré-pandemia [ em torno de 115 pontos]" afirmou Anna Carolina, reiterando, no entanto, que não há como saber no momento se a trajetória descendente do IIE-Br permanecerá no longo prazo.
Sobre o desempenho do indicador de novembro para dezembro, a especialista comentou que, no período, mesmo com a chegada ao país de nova variante de covid-19, a ômicron – mais transmissível e originada do continente africano – isso não levou a ritmo maior de casos e óbitos pela doença.
Esse aspecto diminuiu incertezas no período, em um momento em que a economia, principalmente setor de serviços, começa a retomar ritmo de atividade próximo ao patamar pré-pandemia.
"O que nós tivemos [em dezembro] foi uma continuidade da melhora da pandemia; e, com isso, uma continuidade da volta à normalidade" resumiu a técnica, notando que isso acabou por diminuir dúvidas sobre possível impacto da nova variante na atividade econômica – e ajudou a derrubar o IIE-Br no mês.
A piora dos indicadores de saúde relacionados à covid-19 tem forte impacto na trajetória do índice de incerteza, pontuou ela. Para exemplificar a influência que a pandemia teve, desde seu início no país em março de 2020, na evolução do indicador, a especialista comentou que a média do IIE-Br de março de 2020 a dezembro de 2021 ficou em 144 pontos – bem acima da média em patamar pré-pandemia, de 115 pontos comentou ela. Portanto, uma melhora no quadro sanitário relacionado à doença, agora, atua como fator de redutor de incerteza.
No entanto, ao ser questionada sobre permanência de trajetória de recuo do indicador ao longo de 2022, a técnica foi cautelosa. Ela comentou que, além da pandemia não ter acabado ainda, não é o único tópico a ser observado na evolução do índice.
A economia, no momento, dá sinais de um contexto complicado para 2022, com inflação em patamar elevado e sem sinais de arrefecimento; e mercado de trabalho ainda em gradual recuperação, e sem retomada robusta de renda.
"A queda do indicador em dezembro foi afetada pela disseminação ainda moderada da ômicron no Brasil – mas não que isso não possa piorar para a frente" frisou ela, comentando que, atualmente, o país se encontra em momento "stand by" da ômicron. "E além da economia teremos eleição em 2022. Isso provavelmente vai gerar ruído de incerteza no próximo ano, mas mais no segundo semestre", alertou ela.

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Redação

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