‘Homens levantaram a placa, aí meu tio me puxou’, conta menina esmagada por parte de muro de concreto do metrô

‘Homens levantaram a placa, aí meu tio me puxou’, conta menina esmagada por parte de muro de concreto do metrô


Kemilly Kethelyn Lino da Silva, de 8 anos, foi atingida em 16 de outubro, durante festa de Dia das Crianças, no Recife, e está em casa após quase dois meses internada. Depois de quase dois meses internada, menina atingida por placa de concreto está em casa
"Meu tio e um monte de homens levantaram a placa, aí meu tio me puxou". A frase é uma das poucas lembranças que a menina Kemilly Kethelyn Lino da Silva, de 8 anos, tem do dia em que foi esmagada pelo muro de concreto do metrô (veja vídeo acima). O acidente ocorreu na comunidade do Papelão, no bairro do Coque, na região central do Recife.
Tudo aconteceu quando ela participava de uma festa promovida por uma ONG, em comemoração ao Dia das Crianças, em 16 de outubro. A menina e outras 100 crianças aguardavam a distribuição de presentes, quando a placa caiu.
Kemilly teve alta no sábado (4), depois de quase dois meses internada no Hospital da Restauração, na região central da cidade. Ela passou oito dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo cinco deles intubada. Desde a extubação, ela se recuperava das fraturas no hospital e esperava o resultado de exames para saber se teria sequelas neurológicas.
Kemilly, de 8 anos, foi esmagada por uma placa de concreto do metrô do Recife
Reprodução/TV Globo
Em casa, junto com a mãe e os irmãos, ela aguarda ansiosamente o momento em que vai poder voltar a brincar como antes, na rua, com os amigos. No entanto, a garota ainda sente dores nas pernas e não pode ficar de pé.
O bairro em que a família de Kemilly mora tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Recife, com 57% dos moradores vivendo com renda mensal entre R$ 130 e R$ 260. Faltam espaços públicos de lazer e, por isso, as crianças brincam na rua, às margens da via férrea em que passa o metrô.
"Foi na hora em que estava chuviscando. As crianças foram para perto das placas, as crianças correram e, na hora que eu ia correr, a placa caiu", disse a menina.
Sufoco
Kemilly, de 8 anos; a mãe, Caroline; e a irmã, Laila
Reprodução/TV Globo
A família de Kemilly é bastante humilde. O pai, Francisco Lino, trabalha como gari na prefeitura do Recife. A mãe, a dona de casa Caroline da Silva, também precisa cuidar dos dois irmãos de Kemilly, sendo um mais velho e outra mais nova.
Durante o tempo no hospital, os pais se revezaram durante os quase dois meses de internamento. No entanto, ele precisou retornar ao trabalho no fim de novembro e, com isso, Caroline passou a ficar 24 horas por dia no hospital.
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"Ainda hoje ela sente dores, mas, graças a Deus, melhorou. Não está 100% bom, ainda, mas era aperreio naquela Restauração. Era grito, grito, grito, ‘ai minha perna’. Era sufoco para tudo. Para dar banho, para tudo. Ela chorava de um lado e eu chorava do outro. E as enfermeiras com a maior paciência, dizendo ‘tenha calma, mãe, tenha calma’, e ela lá, aperreando, gritando de dor", disse.
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) é a responsável pela estrutura. Pouco tempo depois do acidente, o governo do estado entrou com uma notícia crime contra a empresa.
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Os parentes de Kemilly se reuniram com representantes da empresa para pedir apoio financeiro para pode ir visitar a menina no hospital. Após o encontro, a empresa disse que “iria avaliar” os pedidos. No dia seguinte, informou que uma cesta básica e um carro estavam à disposição da família da garota.
"A médica disse que ela ainda não pode fazer fisioterapia, tem que ficar deitada ou sentada, não pode ficar em pé. Só quem vai dizer é o médico, que vai dizer se vai fazer fisioterapia, outro raio-x, para ver como está a bacia", afirmou a mãe de Kemilly.
Sobre o caso, a Polícia Civil informou, por meio de nota, que "não divulga detalhes de diligências em curso para não atrapalhar o andamento das investigações" e que outras informações só seriam divulgadas quando o inquérito for concluído.
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Redação

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