Guedes projeta rombo de 1% do PIB nas contas públicas em 2021 e 0,5% em 2022

Ministro da Economia afirmou que projeção para 2022 considera espaço fiscal aberto pela PEC dos Precatórios. Segundo Guedes, Bolsonaro não permitiu venda da Petrobras até 2022. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (7) que o rombo nas contas públicas neste ano deve se limitar a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para 2022, o ministro projetou que o déficit primário será de 0,5% do PIB.
O déficit primário ocorre quando os gastos do governo superam as receitas com tributos e impostos. Ficam de fora desta conta as despesas com o pagamento de juros da dívida pública. Quando as receitas superam as despesas, o resultado é de superávit.
“Então, 2021, há três ou quatro dias fechamos os números: estamos de volta a 1% do PIB”, afirmou em um evento virtual realizado pela bolsa de valores de São Paulo, a B3, e por uma consultoria.
De acordo com Guedes, em 2021 o Brasil voltará ao patamar de déficit público de 2019, o primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro.
Em 2020, em decorrência dos gastos para enfrentar a pandemia de Covid, o ministro diz que o déficit chegou a 10,5% do PIB no cálculo mais atualizado.
“Nenhum país no mundo na história voltou de 10,5% para 1% do PIB, o que significa que estamos exatamente onde estivemos no nosso primeiro ano de governo”, complementou.
O relatório "Focus", divulgado nesta segunda (6) pelo Banco Central com estimativas do mercado financeiro, prevê valores "opostos" em relação aos citados por Guedes: um déficit de 0,6% do PIB em 2021 e de 1,2% em 2022.
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Ainda segundo o ministro, a previsão de déficit primário de 0,5% para 2022 considera a ampliação do Auxílio Brasil e a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. Principal aposta do governo para viabilizar o Auxílio Brasil de R$ 400 no ano que vem, a PEC deve abrir uma folga no teto de gastos estimada pelo ministério em R$ 106,1 bilhões.
O ministro vinha dizendo em ocasiões anteriores que, com a PEC dos Precatórios, o déficit do governo em 2022 se elevaria de 0,5% do PIB para de cerca de 1,5%.
“0,5%, é claro, é apenas uma projeção para o próximo ano. Mas com toda a informação relevante que temos esse ano, incluindo a PEC dos Precatórios que estamos em vias de aprovar”, afirmou.
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Privatização da Petrobras
Paulo Guedes também afirmou no evento que o presidente Jair Bolsonaro não permitiu a privatização da Petrobras no que o ministro chamou de "primeiro" mandato.
De acordo com o ministro da Economia, Bolsonaro teria feito uma lista de estatais que poderiam ser privatizadas por enquanto, mas a Petrobras teria ficado de fora.
“Todos sabem que sou a favor de privatizar todas essas companhias. Mas o presidente separou. Disse: ‘ok, pode vender Correios, Eletrobras, subsidiárias’, então temos um propósito muito claro de desinvestir. Mas a Petrobras não está na lista de privatizações, pelo menos para esse primeiro governo”, disse.
Em outubro, durante a trajetória de alta nos preços dos combustíveis, Bolsonaro disse ter “vontade de privatizar a Petrobras” em entrevista a uma rádio de Pernambuco. Porém, o presidente não deu detalhes sobre como seria o processo de venda da estatal e disse que discutiria o tema com a equipe econômica.

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Redação

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