Fibras de açaí são transformadas em joias pelas mãos de artesã ribeirinha no Amazonas


Além de vender as peças em uma loja virtual, empreendedora Neide Garrido ensina outras mulheres a produzirem peças sustentáveis. Em comunidade ribeirinha, empreendedora usa fibra de açaí para produzir joias
Empreendedora nata, administradora de finanças e inspiração para outras mulheres da comunidade. É assim que Neide Garrido, produtora de joias da comunidade do Tumbira, a 64 quilômetros de Manaus, se descreve.
Neide mora às margens do Rio Negro e conta que resolveu investir em um negócio em que pudesse ganhar uma renda extra e ao mesmo tempo cuidar da família. Foi quando ela resolveu aproveitar os produtos naturais da região onde mora e fazer joias.
De fibras de açaí a semente de buriti, todos os itens podem ser encontrados na floresta. Neide conta que o negócio é uma junção entre oportunidade e identificação com trabalhos manuais.
Joias feitas com fibra do açaí e buriti.
Luis Paulo Dutra/g1 AM
"Eu resolvi investir nesse negócio porque além de Tumbira ser um local de bastante dificuldade de trabalho, foi preciso que eu encontrasse uma forma de contribuir financeiramente com a minha família. Como eu também tinha que cuidar de casa, tinha que encontrar algo que me fizesse estar perto daqui. As oportunidades foram surgindo e eu resolvi aproveitar", disse.
Em comunidades como Tumbira, em que o acesso acontece somente por meio fluvial, o trabalho de Neide movimenta um cadeia de outras pessoas, que engloba desde a pessoa que vai retirar as fibras na floresta, até quem vai traçar o material e produzir as joias.
Garrido conta que atualmente trabalha com quatro produtores de forma direta e aproximadamente 16 pessoas de maneira indireta, incluindo aqueles de comunidades vizinhas.
"O meu trabalho também envolve muitas pessoas, em muitos níveis. Algumas dessas pessoas colhem o material, trazem para mim e eu uso na fabricação das peças. Eu também ensino outras mulheres da comunidade a produzirem peças assim como eu elas me ajudam nas minhas produções. Eu passo o conhecimento para elas, dou todo o material e pago a mão de obra para que elas tragam essas produções", explica.
Neide Garrido, artesã na comunidade de Tumbira
Luis Paulo Dutra/g1 AM
Com o crescimento de outras mulheres, Neide conta que vê uma comunidade cada vez mais fortalecida. "Quando eu vejo a alegria de cada uma eu também fico muito feliz, porque elas fazem parte da minha história. Eu acredito que, se cada empreendimento puxar uma ou duas pessoas, a gente diminuiria as necessidades existentes entre as famílias. O sucesso delas também é motivo para eu continuar", disse.
Com as produções, hoje em dia a renda mensal da artesã ultrapassa um salário mínimo. Mas nem sempre foi assim, Garrido conta que teve que buscar especialização para estabilizar o negócio.
"Como o fluxo de visitantes aqui na comunidade está bem melhor, eu consigo tirar uma boa renda com as vendas dos visitantes que aparecem aqui. A maior prova da vida da gente é a insistência, e foi isso que eu fiz. Como eu sempre participei de projetos voltados ao empreendedorismo eu sempre pensei: se em dois anos eu conseguir bater uma meta cada vez maior, isso quer dizer que o que eu estou fazendo está dando certo", disse.
Profissionalização de ribeirinhas
A comunidade de Tumbira fica dentro de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) atendida pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Na comunidade, a fundação instalou um núcleo que desenvolve atividades relacionadas à educação, empreendedorismo e saúde.
A superintendente de desenvolvimento sustentável da ONG, Valcicléia Solidade, conta que diversos projetos são desenvolvidos na unidade, como o Jirau da Amazônia, uma loja virtual fruto de uma parceria comunidades tradicionais da Amazônia.
Fazem parte do projeto 368 artesãos, de 28 comunidades ribeirinhas do Amazonas e mais de 315 famílias que fazem parte da iniciativa. O e-commerce reverte 100% do lucro obtido para reinvestir nos projetos.
Na loja virtual, os artesãos vendem acessórios, artigos para casa e peças de decoração.
"Para mim o grande diferencial desses negócios são as mulheres. A gente sabe que vive numa região que ainda é machista e quando se chega numa comunidade e vê mulheres empreendedoras aproveitando o que a natureza oferece a elas, faz com que você reflita sobre tudo ter valido a pena, porque muitas mulheres viram uma oportunidade de se empoderar e buscar o conhecimento, além de transformar a dificuldade em uma fortaleza", evidenciou Solidade.
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