Falta de saneamento mantém 450 mil imóveis sem esgoto na cidade de SP

Falta de saneamento mantém 450 mil imóveis sem esgoto na cidade de SP


Prefeitura de São Paulo ainda reduziu investimento em 2020, mas afirma ter firmado parceria com Sabesp para beneficiar 45 mil famílias. Companhia de Saneamento argumenta que cobertura em construções irregulares só é possível com autorização judicial. Mais de 450 mil imóveis não têm ligação com a rede de esgoto na cidade de São Paulo, de acordo com dados obtidos pelo SP1 nesta terça-feira (28) com a Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) por meio da Lei de Acesso à Informação.
A região com mais moradias sem saneamento é a Zona Sul, com 138.761 imóveis. A Zona Norte fica em segundo lugar, com 114.566 imóveis sem acesso à rede de esgoto. Na Zona Leste são 85.755 e na Zona Oeste são mais de 49.448 imóveis sem saneamento. No Centro, que é a região mais privilegiada da capital em oferta de serviços, são 64.139 imóveis nessa situação.
O Instituto Trata Brasil, que estuda o saneamento básico no país, explica que viver em um local sem este serviço é estar excluído de um direito básico.
"Quem não tem o sistema completo de saneamento está excluído de um direito fundamental", disse Édison Carlos, presidente da organização.
"As pessoas sofrem por doenças, as crianças faltam muito nas escolas nesses bairros, então, é preciso um esforço conjunto, não só da empresa de saneamento, mas também da prefeitura, do poder legislativo e do poder judiciário", continuou.
Dados obtidos pela reportagem mostram ainda que a Prefeitura de São Paulo aumentou o investimento em saneamento básico de 2016 a 2018, com alta em 2019, mas, no ano passado, o número caiu.
O valor destinado ao saneamento básico baixou de R$ 455 milhões em 2019 para R$ 446 milhões em 2020.
Questionada, a Prefeitura de São Paulo disse que no começo deste mês assinou um convênio com a Sabesp para obras de saneamento básico e urbanização em favelas na região das represas Billings e Guarapiranga, o que deve beneficiar cerca de 45 mil famílias.
Rotina com esgoto à céu aberto
Este é o caso do Jardim Varginha, na Zona Sul, onde muitas casas não têm saneamento básico. A casa de Cremilda Oliveira tem três andares, com dois banheiros, três quartos e a varanda com vista para o esgoto.
"Até evito sair na varanda pra falar a verdade. Quando eu vou tirar uma foto procuro colocar o celular pra cima pra não ver essa linda belezura", disse ela, que convive com o problema há 15 anos, desde que se mudou para o bairro.
A experiência também é vivenciada pelo pedreiro Francisco Novaes. "Aqui a água invade quando chove, alcança uns 15 metros e entra rato, barata", afirmou.
Na tentativa de barrar a água que invade as casas durante as chuvas de verão, os moradores instalaram comportas, mas nem sempre as portas de ferro dão conta.
"Na minha casa, mesmo não temos praticamente nada. É tudo quebrado. Já perdi cama, cômoda, mesa, cadeira, estante, sabe, já perdi tudo", disse a aposentada Francisca Nonato da Silva.
Na tentativa de barrar esgoto que invade as casas sem saneamento durante as chuvas de verão, moradores instalaram comportas
TV Globo/Reprodução
O verão é um período especialmente difícil para quem não tem acesso ao esgoto tratado. Por causa dos alagamentos, o esgoto se espalha com mais facilidade e, no calor, a evaporação das águas poluídas espalha mais micro-organismos no ar.
"Por ser um bairro periférico, por ser um bairro distante, a gente se sente excluído, excluído da sociedade", disse Cremilda.
Em nota, a Sabesp disse que 95% da capital contam com a cobertura da rede de esgoto, mas que em muitos locais, como o Jardim Varginha, sofrem com as construções irregulares, de modo que só é possível implantar saneamento básico nesses locais com autorização judicial.
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Redação

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