Em meio à guerra civil, população da Síria sofre com fome, poluição e doenças

O fotógrafo brasileiro Gabriel Chaim registrou cenas chocantes para o Fantástico no nordeste do país, como o trabalho pesado e mal remunerado em refinarias e crianças revirando lixão. Fome e poluição: fotógrafo brasileiro registra efeitos da guerra na Síria
Mesmo depois da expulsão do Estado Islâmico em 2019, a Síria segue em uma guerra civil que já dura mais de dez anos. A destruição está por toda parte, e milhões de sírios fugiram para outros países.
Para uma parte da população que ficou, no entanto, o sofrimento vai além dos efeitos da guerra. O fotógrafo brasileiro Gabriel Chaim, que registra a situação do país para o Fantástico desde 2013 (veja as reportagens abaixo), desta vez foi até uma região no nordeste da Síria e mostra como as principais ameaças à vida não são bombas e tiros, mas sim a fome, a poluição e as doenças.
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Hoje, com o grupo terrorista expulso, centenas de refinarias improvisadas são exploradas pelo Exército curdo, que controla a região apoiado pelos Estados Unidos. Para muitas famílias, é o único trabalho possível, que rende cerca de US$ 20 por semana. A fonte de renda tem um custo alto para a saúde.
"O salário é pouco, mas só temos esse trabalho. O perigo é a fumaça. Não conseguimos dormir por causa das dores nos olhos. Dói muito, mesmo usando remédio", conta o sírio Mohammad, pai de oito filhos —os três meninos já o acompanham no trabalho.
A poluição causada pelas refinarias faz tão mal à saúde que um colega de trabalho de Mohammad chegou a ser hospitalizado, e diz que ficou em coma por três dias. O médico culpou a fumaça.
A negligência na manutenção das instalações provoca vazamentos, que acabam nos rios. E mesmo quem não trabalha diretamente nas refinarias sente as consequências dentro da própria casa. Embora estudos internacionais relacionem a poluição química com aumento de casos de câncer e outras doenças, nenhuma pesquisa foi feita com a população síria. Mas os médicos da região descrevem a percepção que têm a cada dia.
"Os números aumentaram muito. Todo dia tenho quatro ou cinco casos no meu consultório. A maioria é de câncer de pulmão ou doenças de pele. E estão aumentando muito os casos de câncer no sangue. Antes só os mais velhos tinham câncer, agora vemos pessoas de 20, 30 anos", lamenta o médico hematologista Danish Haj Ahmoud Ibrahim.
Com a economia destruída, muitas pessoas não conseguem trabalho sequer nas refinarias improvisadas e passam a depender dos restos que encontram em lixões para alimentar a família.
"Enquanto eu estava filmando, uma criança achou um plástico com arroz dentro. E ela abriu essa sacola de plástico, que tinha um restinho de arroz e ela começou a comer na minha frente", relembra Gabriel Chaim.
Em meio à fome, a chegada dos caminhões que trazem o lixo da base americana gera expectativa. É a chance de encontrar algo diferente, como biscoitos, salgadinhos ou até as chamadas "refeições prontas pra comer" dos militares. Quando a caçamba abre, começa a disputa…
Chaim registrou o momento em que Ayman, um menino de 8 anos, busca comida e materiais recicláveis para vender. Ele esperava recolher o suficiente para conseguir cinco mil libras sírias, equivalente a menos de US$ 2, e contou: "Vou comprar a janta para os meus irmãos". Assista à reportagem acima.
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Redação

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