Disputa entre criminosos se torna pública, com lista de executados e inimigos publicada em rede social no interior de SP


Situação vem ocorrendo em Cruzeiro (SP). Polícia Civil investiga crimes e já identificou parte dos criminosos responsável pelos posts. Taxa de homicídios no município teve saltou em relação a anos anteriores com as execuções em 2021. Na conversa, um cirminoso envia a foto da lista de 'próximas vítimas' já com duas pessoas sinalizadas, indicando a morte
Polícia Civil/Divulgação
Uma disputa por poder entre criminosos fez disparar os índices de homicídios em Cruzeiro, no interior de São Paulo. A rivalidade escalou a ponto de se tornar pública em listas divulgadas em uma rede social com os nomes das vítimas e também de quem seriam os próximos alvos (veja a imagem acima).
Os homicídios fizeram a cidade saltar no ranking entre as mais violentas do interior paulista em relação às mortes por quantidade de habitantes (leia mais abaixo). Os assassinatos ocorreram em meio à disputa de traficantes nos bairros Vila Romana e Vila Batista.
Para divulgar seus alvos, usam perfis falsos na rede social acompanhado de mensagens como: o fim de vocês vai ser triste, safadinhos. As contas publicaram montagens com as fotos das pessoas “procuradas” para homicídios e após os crimes, republicam a imagem com as vítimas já riscadas com um "x" em vermelho, sinalizando a morte.
Criminosos publicam fotos de vítimas e oferecem recompensa por informações na rede social
Divulgação/Polícia Civil
Em uma investigação, a polícia encontrou a lista em uma conversa entre um detido por homicídio e um parceiro de crime. No aplicativo, o criminoso envia a imagem da lista com dois rostos sinalizados e acrescenta que já “deitou” eles. De acordo com a polícia, a gíria é usada para sinalizar o assassinato.
Depois, em outra conversa, um criminosos combina com outro um homicídio. Duas horas depois, por mensagem, o homem confirma a morte, mas diz que o alvo não estava no local, mas que ele 'rosetou' uma outra pessoa e não sabe quem é.
Criminosos conversam combinando homicídio
Divulgação/Polícia Civil
Índices de violência
Antes do fim de dezembro, o mês já superou o número de mortes registrados mensalmente no restante do ano, com oito óbitos. Entre eles, há dois casos de mortes com intervalos de menos de 24 horas e três dos homicídios aconteceram em um período de quatro dias.
Mulher é morta a tiros em condomínio
Jovem de 25 anos é morto a tiros no Colinas da Mantiqueira
Homem morre após ser baleado com oito tiros na zona rural
O delegado da delegacia de homicídios, Sandro Franqueira, explica que a disputa fez crescer o número de mortes nos últimos anos.
“Esses grupos se tornaram rivais e começou com um homicídio, que gerou vingança e continuaram nesse ciclo, o que fez crescer o número de mortes. A polícia tem investigado as mortes e até os nomes das listas, mas a ameaça dificulta que as pessoas busquem a polícia ou que colaborem nas investigações”, explica.
De acordo com o delegado, a polícia está atuando contra os grupos e uma operação em abril deste ano terminou com oito pessoas presas, entre elas envolvidas em crimes na lista. Apesar disso, o índice de solução de homicídios é o mais baixo na cidade desde 2003, quando os dados passaram a ser divulgados.
“Nós estamos com suporte da delegacia de crimes cibernéticos que apura quem são os responsáveis pela publicação dessas listas e seguimos investigando as demais mortes. Não é porque um ano se encerrou que a investigação encerra, vamos insistir para que esses crimes sejam resolvidos”, disse o delegado.
O g1 acionou o Facebook questionando a empresa sobre quais medidas pretendia tomar sobre a situação, mas a plataforma informou que não iria comentar especificamente sobre o caso. Mas reforçou que a plataforma "não permite que organizações ou pessoas que estejam envolvidas em violência tenham presença no Facebook".
Acrescentou ainda que "remove conteúdos e contas associadas a esses comportamentos quando tomamos conhecimento delas" e que está à disposição das autoridades.
Recorde de mortes violentas
Segundo os dados da SSP, desde 2003, ano em que os dados de violência passaram a ser publicados, nunca houve um número tão alto de mortes violentas na cidade. Entre 2018 e 2021 dobrou o número de vítimas de crimes letais saindo de 19 mortes em 2018 para 43 até agora em 2021.
O número coloca a cidade no topo do ranking de cidades violentas a cada 100 mil habitantes no Vale do Paraíba. O balanço do g1 levou em conta o número de crimes e a relação de moradores do município em cidade com mais de 50 mil habitantes.
A Polícia Civil informou que tem feito ações conjuntas com a Polícia Militar para reduzir a letalidade na cidade. De acordo com a PM, desde o início do ano foram 31 armas apreendidas e 165 pessoas presas, envolvidas em diversos crimes.
Veja mais notícias do Vale do paraíba e região

Use ← →para continuar navegando

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.