CPI da Covid, inquérito das fake news, manifestações: relembre o que marcou o cenário político do Brasil em 2021

CPI da Covid, inquérito das fake news, manifestações: relembre o que marcou o cenário político do Brasil em 2021


Este ano, a política dominou as conversas, mas muitas vezes o diálogo deu lugar à polarização e à guerra de narrativas. Política dominou as conversas em 2021
Em 2021, a política dominou as conversas. No entanto, muitas vezes, o diálogo deu lugar à polarização e à guerra de narrativas – um duelo entre fato e discurso. Relembre o que mais marcou o cenário político do Brasil em 2021, em ordem cronológica, e confira tudo no vídeo acima.
Eleição no Congresso Nacional
No dia 1º de fevereiro, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foram eleitos para presidirem a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, respectivamente. Ambos irão ocupar o cargo até 2023.
Arthur Lira, do PP, é eleito presidente da Câmara em 1º turno com apoio de Bolsonaro
Rodrigo Pacheco, do DEM, é eleito presidente do Senado com apoio de Bolsonaro e dez partidos
Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).
Reuters/Ueslei Marcelino
Condenações do ex-presidente Lula na Lava Jato são anuladas
No dia 8 de março, Edson Fachin anulou as condenações de Lula na Lava Jato. O ministro do STF considerou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula, e a decisão provocou um terremoto político em Brasília. Com ela, o ex-presidente voltou a ser elegível.
Lula durante pronunciamento na sede do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo, no ABC, após decisão
Amanda Perobelli/Reuters
Saída de Pazuello do Ministério da Saúde
No dia 15 de março, após muita especulação, o presidente Jair Bolsonaro anunciou Marcelo Queiroga como novo ministro da Saúde, substituindo Eduardo Pazuello. A troca ocorreu no pior momento da pandemia de Covid, com recordes sucessivos de mortes, e o nome da médica Ludhmila Hajjar chegou a ser cogitado para o cargo antes.
Queiroga diz que foi convocado para dar continuidade ao trabalho de Pazuello
JN
Mudança ministerial e troca de comando das Forças Armadas
No dia 29 de março, o presidente Jair Bolsonaro realizou uma reforma ministerial com seis trocas no primeiro escalão do governo: Relações Exteriores, Defesa, Justiça, Casa Civil, Secretaria de Governo e Advocacia-Geral da União. No dia seguinte, os comandantes das três Forças Armadas também anunciaram sua saída.
Veja as novas trocas de ministros do governo Bolsonaro após saída de Ernesto Araújo
Plenário do STF considera Moro parcial em condenação
No dia 23 de junho, o plenário do STF concluiu julgamento que reconheceu, por 7 votos a 4, a competência da Segunda Turma da Corte para declarar parcial o ex-juiz Sergio Moro na condenação do ex-presidente Lula no caso do triplex no Guarujá.
Com a decisão, as provas até então colhidas por investigadores foram anuladas, não podendo ser utilizadas em um eventual novo julgamento pela Justiça Federal do Distrito Federal, para onde o caso foi enviado.
Sergio Moro.
REUTERS/Adriano Machado
Pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro
No dia 30 de junho, partidos políticos, parlamentares, movimentos sociais e entidades da sociedade civil protocolaram o chamado "superpedido" de impeachment do presidente Jair Bolsonaro na Câmara. O documento consolidava argumentos apresentados nos outros 123 pedidos de impeachment que já haviam sido apresentados, entre eles, o que apontava prevaricação do presidente no caso da suspeita de corrupção no contrato de compra da vacina indiana Covaxin.
Indígenas pediram impeachment do presidente Jair Bolsonaro durante ato, em frente ao STF, em Brasília
Carolina Cruz/ G1
Centrão no comando da Casa Civil
No dia 22 de julho, o presidente Jair Bolsonaro nomeou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como ministro chefe da Casa Civil. O senador, que faz parte do Centrão, ficou no cargo que era ocupado por Luiz Eduardo Ramos, nomeado para assumir a Secretaria-Geral da presidência.
Ciro Nogueira após encontro com Bolsonaro no Palácio do Planalto
REUTERS/Adriano Machado
Bolsonaro no inquérito das fake news após ataques às urnas eletrônicas
No dia 4 de agosto, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a inclusão do presidente Jair Bolsonaro como investigado no inquérito que apura a divulgação de informações falsas. A decisão atendeu a um pedido aprovado por unanimidade pelos ministros do TSE depois que o presidente fez uma série de ataques sem provas às urnas eletrônicas.
Ministro Alexandre de Moraes e presidente Jair Bolsonaro
Nelson Jr./SCO/STF; Reuters/Ueslei Marcelino
PEC do voto impresso é rejeitada após polêmico desfile militar
No dia 10 de agosto, a Câmara dos Deputados decidiu rejeitar e arquivar a PEC que propunha o voto impresso. A decisão foi uma derrota para Bolsonaro, que era o maior defensor da proposta. No mesmo dia, pela manhã, um desfile militar diante do Palácio do Planalto causou polêmica. Muitos parlamentares consideraram um tipo de tentativa de intimidação. A Marinha negou.
Votação da PEC do voto impresso na Câmara dos Deputados
Cleia Viana/Câmara dos Deputados /Divulgação
Prisão de Roberto Jefferson
No dia 13 de agosto, Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva de Roberto Jefferson. O ministro do STF também ordenou o bloqueio de conteúdos postados pelo ex-deputado em rede sociais e a apreensão de armas, dentro do chamado inquérito da milícia digital, que é uma continuidade do inquérito dos atos antidemocráticos.
Roberto Jefferson
Reprodução/TV Globo
Pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes
No dia 20 de agosto, Bolsonaro protocolou um pedido de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes no Senado. Uma semana antes, o presidente havia dito que iria abrir um processo sob o argumento de que Moraes e outro ministro do Supremo Luís Roberto Barroso extrapolam os limites da Constituição. O pedido foi rejeitado por Rodrigo Pacheco, presidente da casa, cinco dias depois.
Bolsonaro envia ao Senado pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes
Ex-funcionário da família Bolsonaro admite participação nas rachadinhas
No dia 3 de setembro, em entrevista, um ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro admitiu fazer parte do suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual. Marcelo Nogueira também afirmou que Jair Bolsonaro concordou que os filhos Flávio e Carlos comandassem o suposto esquema e que devolvia mensalmente cerca de 80% do salário para Ana Cristina Siqueira Valle — na época, mulher do presidente.
Marcelo Nogueira e Jair Bolsonaro
JN
Manifestações do dia 7 de setembro
Protestos contra e a favor do governo do presidente Jair Bolsonaro marcaram o feriado da Independência no Brasil em 2021. Os atos aconteceram em meio a embates do presidente com o STF e de uma acentuada crise econômica.
Dois dias depois, após declarações dadas pelo presidente gerarem polêmica, um socorro inusitado foi chamado para apagar o incêndio: o ex-presidente Michel Temer. Bolsonaro foi aconselhado pelo antecessor a divulgar um 'manifesto de pacificação', afirmando que não teve 'intenção de agredir' poderes.
Avenida Paulista durante protesto pró-Bolsonaro em 7 de Setembro. Ato tem pautas antidemocráticas.
REUTERS/Amanda Perobelli
Viagem de Bolsonaro a Nova York para Assembleia Geral da ONU
A ida de Bolsonaro aos EUA para participar da Assembleia Geral da ONU foi marcada por incidentes ligados ao fato de ele não ter sido vacinado. Com Nova York com várias restrições para conter a Covid, o presidente acabou protagonizando cenas como um jantar na calçada de uma pizzaria com ministros.
Ainda no evento, ele causou polêmica ao defender o tratamento precoce contra o coronavírus em seu discurso e ao reafirmar que não tinha se vacinado em encontro com Boris Johnson. Ministros do governo também deram o que falar ao responder manifestantes com gestos obscenos.
Bolsonaro na ONU
Eduardo Munoz/Reuters
Entrega do relatório final da CPI
Após seis meses de trabalho, no dia 26 de outubro, a CPI da Covid aprovou o relatório final do senador Renan Calheiros. O documento atribuiu nove crimes ao presidente Jair Bolsonaro e pediu 80 indiciamentos – 78 pessoas e duas empresas – por ações e omissões do governo durante a pandemia.
Retrospectiva 2021: relembre momentos da CPI da Covid
Um dos pedidos incluídos de última hora no relatório foi um pedido de responsabilização de Bolsonaro devido a “campanha antivacina”. Um dia antes, o presidente disse em uma live em suas redes sociais que relatórios oficiais do Reino Unido teriam sugerido que pessoas totalmente vacinadas contra a Covid estariam desenvolvendo aids, o que é fake.
Da esquerda para direita: os senadores Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid; Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice; e Renan Calheiros (MDB-AL), relator, no dia 27 de abril, no Senado.
Adriano Machado/Reuters
Participação de Bolsonaro no encontro do G20 em Roma
No fim de outubro, Jair Bolsonaro viajou a Roma para a Cúpula do G20, acompanhado por ministros. A participação dele no evento ficou marcada pelo isolamento e pela hostilidade com que os jornalistas foram tratados ao tentar cobrir a passagem do presidente pela capital italiana.
O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, e o presidente Bolsonaro na cúpula do G20
REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Decisão a favor de Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas
No dia 30 de novembro, o STF manteve o foro privilegiado do senador Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas e anulou provas da investigação feita pelo Ministério Público do Rio. O senador e filho do presidente chegou a ser denunciado sob acusação de ter enriquecido ao se apropriar de salários de funcionários do gabinete dele no período em que era deputado estadual.
Senador Flávio Bolsonaro
REUTERS/Adriano Machado
André Mendonça é confirmado como novo ministro do STF
No dia 16 de dezembro, André Mendonça tomou posse como novo ministro do Supremo Tribunal Federal. Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, que prometeu um nome "terrivelmente evangélico" para a segunda vaga a que tinha direito de indicação no tribunal, o ex-advogado-geral da União, ex-ministro da Justiça e pastor prometeu cumprir a Constituição.
Ao ser aprovado para o cargo após sabatina no Senado, Mendonça declarou: "Um passo para o homem, um salto para os evangélicos".
André Mendonça durante sabatina no Senado, nesta quarta-feira (1º).
REUTERS/Adriano Machado

Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *