Covid e gripe fazem passageiros redobrarem cuidados nas viagens de fim de ano

Para viajar pelo Brasil, seja de ônibus ou de avião, o comprovante de vacinação contra Covid não está sendo exigido, o que preocupa os especialistas. Falta de vacinação preocupa nas viagens de fim de ano
Fim de ano, muita gente viajando, e uma grande preocupação: os cuidados dos passageiros não só com a Covid, mas também com a gripe.
O movimento no Terminal Rodoviário Tietê em São Paulo, o maior da América Latina, tem sido intenso.
“Eu morava em São Paulo, região do Grajaú, mudei para Indaiatuba e agora fui para o Grajaú passear e agora estou voltando porque lá tem muito serviço”, conta o pedreiro Eduardo Santos Lisboa.
Mas além das bagagens, da saudade ou da vontade de descansar, muita gente carrega também preocupação e cuidado.
“Eu estou usando essa máscara porque acho que protege bem. Gosto de usar álcool em gel sempre que eu posso e manter distância física”, afirma a estudante Catherine Silveira.
“E máscara constante. Tem pessoas que abusam e a vida é única, uma só e a gente tem que tomar muito cuidado”, diz o garçom e músico Edson Santos.
Mas seja para viajar pelo Brasil de ônibus ou de avião, o comprovante de vacinação contra Covid não está sendo exigido, o que preocupa os especialistas.
“As pessoas vão se infectar nos outros estados e vão trazer a variante para os seus estados de origem. Por isso seria tão importante a cobrança do passaporte vacinal. Mas, infelizmente, acho que não vai acontecer porque o Ministério da Saúde – junto com governo federal – continua adotando essa política negacionista de enfrentamento da pandemia”, afirma o epidemiologista Pedro Hallal.
Em São Paulo, além da vacinação de rotina, megapostos – como um no estacionamento de um hipermercado – foram montados para fazer frente a dois desafios: aplicar a vacina contra a Covid nos atrasados da segunda dose e naqueles que já podem tomar o reforço e aplicar também a vacina contra a gripe – que está deixando muita gente doente pelo país.
“Na minha família, estou com caso da influenza H3N2: meu neto, minha nora e meu filho. Todos com influenza”, conta a professora Katia Maria.
Segundo o Ministério da Saúde, até o começo de dezembro, 1.389 pessoas foram internadas por causa da gripe; 162 morreram. São Paulo (54), Maranhão (40) e Minas (14) foram os estados com maiores registros de mortes por influenza.
Dona Rosana não tomou a vacina contra a gripe porque deu prioridade para vacina contra Covid.
“Eu pensei assim: termina o ciclo, terceira dose, aí eu vou tomar a da gripe”, diz a aposentada Rosana Budano.
Um erro comum segundo os especialistas. Mesmo ainda sem o imunizante contra o H3N2, a vacina que está sendo aplicada protege contra três vírus de gripe.
“Às vezes, as pessoas perguntam: ‘Mas eu posso tomar a vacina da gripe já tendo tomado a da Covid?’ Sim! Pode e deve! As duas vacinas são importantes e você deve tomá-las”, afirma Pedro Hallal.
E com vacinas e cuidado que muita gente espera um ano verdadeiramente novo.
“Se Deus quiser! Vamos pedir, pensamento conjunto, a humanidade fazendo isso, a gente consegue”, diz a professora Kátia Maria.
“Precisa de uma coletividade, sozinho a gente não vai para frente”, diz o aeronauta Luiz Barros.
O Jornal Nacional procurou o Ministério da Saúde, que não quis se pronunciar sobre a exigência de comprovante de vacinação pra viagens.
A partir de terça-feira (28), a Prefeitura de São Paulo vai passar a vacinar contra a gripe pessoas de todas as idades, a partir de seis meses. Até hoje, a vacina era oferecida apenas aos maiores de 60 anos, às crianças de 6 meses até 5 anos completos, grávidas e puérperas.

Redação

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