Caso Henry Borel: veja como foram os testemunhos de defesa e acusação de Jairinho e Monique

Caso Henry Borel: veja como foram os testemunhos de defesa e acusação de Jairinho e Monique


Na continuação da audiência de instrução e julgamento da terça (14) e da quarta (15), duas testemunhas de acusação foram ouvidas e outras 13 de ambas as defesas.
Novo dia de audiências do caso Henry ouve testemunhas de defesa da mãe do menino, Monique Medeiros
A terça-feira (14) e a quarta-feira (15) foram marcadas pela continuação da audiência de instrução e julgamento (AIJ) do caso Henry Borel.
Nas sessões, Dr. Jairinho e Monique Medeiros estiveram frente a frente pela primeira vez no Tribunal de Justiça – na sessão do dia 6 de outubro ele participou apenas virtualmente -, e puderam ouvir o que disseram duas testemunhas de acusação e outras 13 convocadas por ambas as defesas.
Duas testemunhas faltaram por motivos de saúde e a expectativa é que sejam ouvidas no dia 9 de fevereiro – data marcada pela juíza Elizabeth Louro Machado para interrogar também Dr. Jairinho e Monique.
O g1 reuniu alguns dos principais momentos dos testemunhos dados e mostra por que eles são importantes para o caso.
Tereza Cristina dos Santos, cabelereira que atendeu Monique Medeiros
Testemunha de acusação, ela confirmou na audiência de instrução e julgamento o que já tinha dito no inquérito policial, que presenciou uma chamada de vídeo entre Monique e a babá Thayná de Oliveira Ferreira dizendo que Henry estava mancando.
“Ela [a babá Thayná] estava mostrando que a criança estava meio mancando, que tinha machucado o joelho”, disse Tereza. A cabeleireira disse ainda que ouviu Henry perguntar na chamada: “Mamãe, eu te atrapalho?”.
A acusação questionou ainda se, ao receber a ligação e perceber o problema em casa, se Monique fez menção de ir embora.
“Ela não falou nada sobre ter que ir embora?, questionou o promotor Fábio Vieira dos Santos.
“Naquele momento, não”, disse a cabeleireira.
Coronel Jairo, pai de Jairinho
Foi convocado como testemunha do ex-vereador, mas falou na condição de informante, que é quando a pessoa é dispensada de prestar compromisso, sem qualquer vínculo com a imparcialidade ou com a obrigação de dizer a verdade.
Coronel Jairo, que é deputado estadual (Solidariedade-RJ), negou que houvesse histórico de agressão por parte de Jairinho e disse que Henry chegou ao hospital sem qualquer lesão.
“Nesse momento, não havia uma equimose. É mentira quem disse que tinha uma lesão ali”, disse Coronel Jairo.
Ele também disse estar convencido de que o filho não é responsável pelo crime.
"Eu me perguntei se tinha passado 40 anos morando com um psicopata, pode acontecer. Mas li muitos livros e psicopatia não encaixa com o Jairinho", defendeu o pai.
Dr. Jairinho e Monique assistem a depoimentos
Henrique Coelho/g1
Cristiane Isidro, assessora da família de Jairinho há 30 anos
Testemunha de defesa de Jairinho, Cristiane Isidoro deu detalhes do relacionamento do ex-casal. Ela contou que, mesmo após a morte de Henry, Monique e Jairinho pareciam se dar bem e chegaram a planejar ter um filho.
“Estávamos no carro, indo para a casa do advogado [André França Barreto], no Leblon, quando ela, carinhosamente, passou a mão no braço dele e verbaliza: ‘Amor, você vai reverter a vasectomia e vamos nos casar’. Jairinho então responde: ‘Vamos, sim, amor’. E depois ela ainda diz: ‘E vai ser no papel'”, disse a assessora.
Sigmar Rodrigues, policial e amigo e Leniel Borel
Convocado como testemunha de defesa de Jairinho, o policial também confirmou um diálogo já relatado para a polícia. Ele contou que esteve no hospital Barra D'or no dia 8 de março, para onde Jairinho e Monique levaram Henry, e que ouviu o ex-vereador falar para o pai de Henry:
"Em um dado momento, o Jairinho bateu nas costas do Leniel e falou: vida que segue, daqui a pouco você faz outro filho e bola para frente. O Leniel ficou indignado e eu também, mas eu falei vamos lá tomar um café e tirei ele do local", contou no depoimento.
Primeira audiência sobre morte de Henry Borel ouve acusação
Antenor Lopes, diretor do Departamento-Geral de Polícia da Capital
Convocado pela defesa de Monique Medeiros, Antenor esclareceu como se deu a investigação do caso pela 16ª DP e explicou porque o caso não foi direcionado para a Delegacia de Homicídios.
"Em momento nenhum esse inquérito foi para a DH. Henrique (Damasceno, delegado do caso na época) me consultou sobre o caso, reportando que era um caso sensível. Ele questionou se seria o caso de remeter à especializada. Mas, o fato foi registrado como violência doméstica, não tinha motivo para o processo ir para a DH. Então, falei que a atribuição era dele", afirmou Antenor.
Reinaldo Schelb, capitão do Corpo de Bombeiros e casado com uma prima de Monique
Testemunha de defesa da mãe de Henry, falou sobre a influência da família de Jairinho e sua possível relação com grupos milicianos.
“Eles são poderosos: politicamente, numa série de situações. Agora dizer o que eles comandam? Eu não posso dizer: ‘Eles são donos disso’. Tudo que eu falo aqui pode ser usado contra mim. O senhor está querendo me comprometer em alguma coisa. Eu não sei se é milícia, se tem algo a ver com a polícia militar, mas eu ouvi dizer. Eu não posso afirmar”, disse emendando.
“Dependendo do que a testemunha fala ou acha; ela pode sair do Estado do Rio de Janeiro ou tomar um tiro no peito”, afirmou.
Rosangela Medeiros, mãe de Monique
Convocada pela defesa da filha, Rosangela Medeiros disse acreditar que o neto foi agredido no dia 8 de março, quando morreu em decorrência de lesões internas no corpo.
Ela disse considerar o exame pericial para acreditar que Henry tenha sofrido atos de violência.
Em outro momento de seu depoimento, Rosangela também disse que se surpreendeu ao saber que a filha vivia um relacionamento abusivo com Jairinho.
A avó de Henry também comentou sobre como o neto se sentia em relação a vida de Monique ao lado de Jairinho.
"Ele mostrava que queria ficar em Bangu conosco. Ele não queria uma casa nova, não queria um padrasto. Ele ia para a praia com a mãe dele, ia para o shopping com a mãe, para o parquinho com a mãe, para a psicóloga com a mãe, sempre sem chorar. Era ela que levava para tudo, para a escolinha de futebol, para tudo. Mas ele não queira ir para o apartamento", contou a avó.
Monique chora durante depoimento de Leonel
Reprodução/TV Globo
Todos os depoimentos serão analisados pela juíza Elizabeth Louro Machado, responsável pelo processo, que vai ouvir ainda Monique Medeiro e Jairinho no dia 9 de fevereiro.
Após essa última oitiva da audiência de instrução e julgamento, a juíza decidirá se o casal teve intenção em cometer um crime contra a vida de Henry e os remeterá para um Tribunal do Júri ou pode desclassificar o caso, impronunciar ou absolver sumariante.
O caso
Monique e Jairinho estão presos desde 8 de abril deste ano acusados pela morte do menino Henry Borel. De acordo com as investigações, a criança morreu por conta de agressões do padrasto e pela omissão da mãe. Um laudo aponta 23 lesões por 'ação violenta' no dia da morte do menino.
O ex-vereador teve um pedido de habeas corpus negado pelos desembargadores da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Já a professora entrou com um pedido de relaxamento de prisão no Supremo Tribunal Federal.
Jairinho foi denunciado por:
homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, tortura e impossibilidade de defesa da vítima), com aumento de pena por se tratar de menor de 14 anos;
tortura;
coação de testemunha.

Monique Medeiros foi denunciada por:
homicídio triplamente qualificado na forma omissiva imprópria, com aumento de pena por se tratar de menor de 14 anos;
tortura omissiva;
falsidade ideológica;
coação de testemunha.
Infográfico mostra a cronologia do dia da morte de Henry Borel (atualizada em 9/4, às 15h40)
Infografia: Amanda Paes e Elcio Horiuchi/G1

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Redação

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