‘Casco’ de tatu-bola inspira estudo de colete à prova de balas mais resistente


Conheça curiosidades sobre outras espécies de tatus do Brasil. Tatu-bola se defende de predadores enrolando seu corpo. A carapaça do animal lembra uma bola de futebol.
Divulgação/Associação Caatinga/Mark Payne-Gill/NaturePL
O tatu-bola desperta a curiosidade: ele tem um casco que é duro mas ao mesmo tempo, flexível. A resistência do casco desse animal já inspirou cientistas a desenvolverem coletes à prova de balas mais resistentes e até vidros mais sólidos.
Segundo Anderson Feijó, a espécie exclusivamente brasileira tem uma ‘armadura’ diferenciada. A habilidade dá a esses animais muitas vantagens. A mordida de um cachorro-do-mato por exemplo, não é forte o suficiente para furar o casco desse animal.
Vídeo flagra onça predando tatu-bola
“Pelo que sabemos, apenas os maiores carnívoros como a suçuarana (onça-parda), a onça-pintada e o lobo-guará conseguem perfurar a carapaça do tatu-bola. Todavia, o que é uma eficiente estratégia contra predadores naturais, se torna uma grande desvantagem contra caçadores. Devido a essa estrátegia, o tatu-bola é facilmente capturado e em muitos lugares já é considerado extinto”, afirma
Tatu-bola, mascote da Copa do Mundo, é visto ao lado de uma bola em zoológico do Rio de Kaneiro
AFP Photo/Vanderlei Almeida
Duro na queda e exclusivamente brasileiro
A carapaça nos tatus é dividida em três partes. Uma parte cobre a região anterior do corpo, chamado de escudo escapular. Outra parte cobre a região posterior (lombar) do corpo, chamado de escudo pélvico. Unindo essas duas partes estão as bandas móveis, que são fileiras de placas que se conectam via fibras musculares.
Conheça as características do casco dos tatus
Rodolfo Magalhães
Assim, diferente das tartarugas que possuem uma carapaça rígida e inflexível, a carapaça dos tatus permite ao animal flexionar o seu corpo. Essa forma como as placas se organizam para formar a carapaça tem sido usado como modelo para o desenvolvimento de placas de vidros que são 70% mais resistentes e flexíveis e até de coletes balísticos mais fortes.
O Brasil é um dos países com a maior diversidade de espécies de tatus. Das 22 espécies conhecidas, 12 ocorrem no país. Dentre estas, o tatu-bola-do-nordeste (Tolypeutes tricinctus) é a única espécie exclusivamente brasileira. Ele se distribui em grande parte da Caatinga e em regiões adjacentes do Cerrado.

Espécie mais ameaçada

O tatu-bola é a espécie de tatu mais ameçada do Brasil, estando listada como “Em Perigo” no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Isso significa que a espécie possui um risco muito alto de extinção. Diferente das outras espécies de tatus que quando em perigo correm para suas tocas, o tatu-bola tem uma estratégia muito peculiar.

Até 2014, o tatu-bola era pouco conhecido pela população em geral e até pela própria comunidade científica. A escolha do tatu-bola como mascote da copa do mundo de futebol pela FIFA (o Fuleco) em 2014 ajudou a divulgar mais a situação de ameaça da espécie. Para evitar que a espécie venha a desaparecer na natureza, um grupo de 69 pesquisadores de várias universidades, zoológicos e institutos de pesquisas do Brasil se juntaram para definir estratégias de como preservar o tatu-bola.

“Essas ações foram consolidadas em um Plano de Ação Nacional (PAN TATA) coordenado pelo Centro de Primatas Brasileiros (CPB) que também envolve o tatu-canastra e o tamanduá-bandeira, outras duas espécies ameaçadas de extinção. O PAN TATA, portanto, tem como objetivo minimizar as principais ameaças que acometem essas três espécies nos próximos 5 anos e estabelecer estratégias prioritárias de conservação”, explica.

Tatu-bola é considerado em extinção na Bahia

Conheça outras espécies de tatus: Do pequeno ao gigante
Ao todo existem 22 espécies de tatus distribuídos principalmente na América do Sul. Os tatus são animais cavadores que usam suas tocas para dormir, fugir de predadores e se proteger de temperaturas extremas. A dieta de grande parte dos tatus é baseada em insetos, mas algumas espécies também consomem raízes, frutos e até pequenos lagartos.

Conheça os tatus que ocorrem no Brasil

As 22 espécies incluem animais com formas diversas desde o menor tatu— o pichi cego da Argentina (Chlamyphorus truncatus) com apenas 100 gramas e 15 cm— até o tatu-canastra (Priodontes maximus), o maior dos tatus que chega até 60 kg e 1 metro de comprimento.

“Uma característica comum a todos os tatus é a presença de uma carapaça que cobre a região dorsal e lateral do corpo do animal. Nenhum outro mamífero possui uma estrutura como essa. Ela é formada por pequenas placas ósseas cobertas por uma fina camada de queratina que se unem por fibras de colágeno. Essas placas ósseas são formadas na derme (região média da pele) e não estão diretamente conectadas ao esqueleto do animal”, explica o pesquisador.
Tatu gigante é flagrado por câmera de monitoramento ao se ‘espreguiçar’ no Pantanal de MS.

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