Banco Central reduz estimativa e vê alta de 1% para o PIB em 2022

Para este ano, expectativa de crescimento da economia brasileira passou de 4,7% para 4,4%. Números constam no relatório de inflação do quarto trimestre, divulgado nesta quinta-feira. O Banco Central (BC) passou a estimar uma expansão menor do nível de atividade da economia neste ano e em 2022. Os números constam no relatório de inflação do quarto trimestre, divulgado nesta quinta-feira (16).
Para 2021, a instituição baixou de 4,7% para 4,4% a sua projeção de crescimento da economia brasileira. Já a expectativa de expansão do PIB no próximo ano recuou de 2,1% para 1%, mostrando forte desaceleração.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.
No ano passado, por conta dos efeitos da pandemia da Covid-19, o PIB registrou tombo de 4,1%. A economia começou este ano com forte reação, com a recuperação da atividade mundial e a alta dos preços das "commodities" (produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo).
Entretanto, o crescimento econômico tem sido freado, nos últimos meses, pela alta da inflação e da taxa básica de juros, que atingiu 9,25% ao ano em dezembro — o maior patamar em mais de quatro anos.
De acordo com o Banco Central, o PIB do terceiro trimestre, que veio negativo e trouxe de volta a recessão técnica (dois trimestres seguidos de tombo), e alguns dos principais indicadores mensais de atividade disponíveis apresentaram, de modo geral, resultados piores do que os esperados no último relatório de inflação (divulgado em setembro).
"Corroborando a evolução menos favorável da atividade, os indicadores de confiança de empresários e consumidores, particularmente relevantes para entender a atividade ao longo do trimestre corrente, recuaram nos últimos meses. Dessa forma, o resultado abaixo do esperado no terceiro trimestre e a piora nos prognósticos para o quarto reduzem a projeção de crescimento para 2021 e o carregamento estatístico para 2022", explicou a instituição.
Outras estimativas
A previsão do BC para o crescimento da economia, em 2022, está acima da estimativa do mercado financeiro. Na semana passada, os economistas dos bancos baixaram a expectativa de expansão do PIB de 0,51% para 0,50%. Para este ano, a previsão é de uma alta de 4,65%.
Entretanto, a expectativa do BC para o próximo ano está abaixo da previsão oficial do governo, feita pelo Ministério da Economia em meados de novembro. Para a pasta, o PIB registrará crescimento de 2,1% em 2022.
Ao explicar a previsão do governo, no mês passado, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia informou que sua estimativa mais otimista está relacionada com a "melhora no mercado de trabalho e no investimento privado, principalmente em infraestrutura".
Desaceleração em 2022
Sobre a expansão menor prevista para 2022, ano eleitoral, o BC avaliou que "surpresas negativas em dados recentemente divulgados – que sugerem perda de dinamismo da atividade e reduzem o carregamento estatístico para o ano seguinte −, novas elevações da inflação, parcialmente associadas a choques de oferta, e aumento no risco fiscal pioram os prognósticos para a evolução da atividade econômica no próximo ano".
A instituição citou também que os "recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal", com a mudança promovida pela PEC dos precatórios (abrindo espaço para o Auxílio Brasil e outras despesas) já se traduzem em elevação de prêmios de risco (curva de juros no mercado futuro), impactando as condições financeiras atuais e, consequentemente, a atividade econômica corrente e futura.
Além do aumento de juros, a instituição citou, também, a perspectiva de que limitações na disponibilidade de insumos em determinadas cadeias produtivas perdurem por mais tempo do que se esperava anteriormente. "Portanto, posterga-se no tempo a expectativa de efeitos positivos que a normalização, mesmo que gradual, da cadeia de insumos industriais possa ter sobre o crescimento", acrescentou.
Em sentido oposto, porém, o BC avaliou que outros fatores devem contribuir positivamente para PIB. Entre eles, dois se destacam: o arrefecimento da pandemia observado até o momento e a volta da mobilidade e das interações sociais devem continuar beneficiando atividades do setor de serviços; e perspectivas favoráveis para a agropecuária, com expectativa de altas expressivas na produção agrícola, em especial daqueles produtos mais severamente afetados por problemas climáticos em 2021.

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Redação

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