Bairros das regiões Sul e Noroeste abrigam 56% das crianças na fila por creches de Campinas

Bairros das regiões Sul e Noroeste abrigam 56% das crianças na fila por creches de Campinas


Áreas como o distrito do Campo Grande e regiões do São José e Oziel reúnem 2 mil crianças que esperam vagas. Secretário avalia que territórios cresceram e construção de unidades deve acompanhar demanda. José Tadeu Jorge é secretário de Educação de Campinas
Adriano Rosa/Prefeitura de Campinas
Das 3.547 crianças na fila por vaga em creches da rede municipal de educação de Campinas (SP), 56% são moradoras das regiões Sul e Noroeste, onde os bairros são mais distantes do Centro. A distribuição desigual do déficit mostra que, apenas no Núcleo de Ação Educativa Descentralizada (Naed) Sul, 1.107 moradores de 0 a 3 anos aguardam a possibilidade de frequentar as unidades de bairros como São José, Oziel e Cidade Jardim.
A Secretaria de Educação organiza o município em cinco Naeds. Somados, o Sul e o Noroeste possuem 2.016 crianças sem vaga atualmente. Em contrapartida, o Naed Leste, dos bairros da região central da metrópole, tem déficit de 320 vagas – veja os números abaixo.
Secretário de Educação, José Tadeu Jorge avalia que os bairros onde o déficit é maior são aqueles cuja expansão é mais recente e que possuem mais famílias em vulnerabilidade. Ele parte do princípio de que as vagas são requeridas, majoritariamente, próximo de onde as crianças moram.
"São regiões bastante populosas de Campinas e é mais ou menos o caminho da expansão da cidade. A quantidade de escolas e, consequentemente, de número de vagas que a gente tem para disponibilizar não é suficiente para atender todo mundo", afirma.
Déficit de vagas em creches de Campinas
"Basicamente, se a gente generalizar um pouquinho, as escolas de educação infantil da nossa rede atendem muito mais as regiões mais vulneráveis. Não tenho nenhuma dúvida disso. Quem tem condição de pagar uma escola e não recorrer a uma escola pública, faz isso de acordo com suas avaliações e da maneira como entendem adequado para educação dos filhos", completa Tadeu Jorge.
A Secretaria de Educação traçou um projeto de construção de 14 creches e ampliação de outras 18 para expandir, em até três anos, a oferta da rede pública municipal. Nas contas de Tadeu Jorge, 6.654 vagas serão criadas se o programa emplacar.
"Nos últimos 15 anos, em termos de construção de unidades de educação infantil, elas ainda não conseguem, infelizmente, atender todo mundo", diz Tadeu Jorge.
Distribuição das novas unidades
Das 14 escolas, cinco estão previstas para o Naed Sudoeste, três para o Noroeste, e duas para cada um dos outros núcleos, inclusive o sul, que possui a maior demanda atual. Em reunião recente na Câmara Municipal, o secretário projetou que as construções comecem, todas, em 2022.
"A região Leste e a Norte só apresentam déficits pontuais", disse Tadeu Jorge, ao g1.
Já sobre as 18 unidades que devem ser ampliadas, nove ficam no Naed Noroeste, três no Sudoeste e cada um dos outros núcleos somam duas ampliações. O secretário afirma que o projeto considera o déficit de vagas em cada região, mas também verifica a disponibilidade de locais.
"É claro que a gente precisa construir as escolas onde os déficits se apresentam. O que às vezes ocorre é que não há disponibilidade de área pública que possa ser usada para construção de escolas. Se é área da prefeitura, a gente tem priorizado a construção nessas regiões".
Segundo o secretário, a desapropriação (compra) de terrenos particulares depende da regularização dos imóveis, o que nem sempre ocorre.
"A prefeitura só consegue desapropriar uma área legalizada, que não haja nenhuma pendência de dono, posse e muitos pontos dessas regiões a gente não encontra área que seja passível de ser escolhida para esse procedimento de desapropriação. Ou porque não tá legalizada, ou porque tem pendências", argumenta.
"Naquelas áreas que nós já dispomos, a prioridade é certa. Até porque não precisa construir escola onde não precisa", completou o titular da pasta.
E o programa 'Creche para todos'?
Em 2019, a prefeitura lançou o "Creche para todos", que visava buscar parcerias com escolas de educação infantil particulares regularizadas. No entanto, a ação não rendeu resultados para reduzir a fila de espera.
Caberia à prefeitura remunerar as escolas para incluir os alunos da rede pública, mas não houve interesse significativo.
Atualmente, segundo Jorge, um programa proposto pela prefeitura, o Primeira Infância Campineira (PIC), tenta novamente a adesão de escolas particulares ao montante de vagas públicas. A ação é coordenada por Thiago Ferrari, mas o secretário não soube precisar se há um prazo para ações do plano renderem vagas em escolas.
Segundo a prefeitura, o PIC propõe integrar os serviços existentes no município com as diversas políticas públicas setoriais. Expressa o compromisso de pensar e planejar a cidade para as crianças de 0 a 6 anos de idade para os próximos dez anos.
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Redação

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