Anúncio de projeto para reformular a segurança do RJ é adiado, e Castro fala em ‘repensar batalhões’ de polícia

Anúncio de projeto para reformular a segurança do RJ é adiado, e Castro fala em ‘repensar batalhões’ de polícia


Programa 'Cidade Integrada' deverá ser anunciado no fim de janeiro, e segundo governador irá para além de favelas. 'Não é um programa só de comunidade, é um programa de reestruturação da segurança pública', afirmou Castro. Jacarezinho, onde em maio uma operação policial terminou com 28 mortos, deve ser uma das primeiras a ter o projeto Cidade Integrada, uma remodelação das UPPs
Reginaldo Pimenta/Agência O Dia/Estadão Conteúdo/Arquivo
Com lançamento previsto para o início deste mês, o projeto do Governo do Rio de Janeiro batizado de "Cidade Integrada" deve ser oficialmente anunciado só no fim de janeiro, segundo contou o governador Cláudio Castro (PL) durante encontro com jornalistas na manhã de quarta-feira (15).
O governador adiantou que o programa será formulado para além da ocupação em favelas – como a princípio indicavam informações da própria administração estadual. O g1 deu mais detalhes do plano em novembro.
Na reunião na manhã de quarta, Castro disse que uma das propostas é "repensar" batalhões de Polícia Militar. O governador também levantou dúvida sobre a efetividade do modelo de segurança pública atual. Segundo ele, o anúncio do plano será no dia 25 de janeiro.
"Vai ser anunciado no dia 25 de janeiro. É um programa bem completo e complexo. Não é um programa só de comunidade, é um programa de reestruturação da segurança pública. O modelo de hoje tem 50 anos. Há 50 anos se tinha um outro Rio de Janeiro", afirmou Castro.
Para dimensionar e justificar o porquê seria necessário "repensar batalhões", o governador citou São Gonçalo, cidade da Região Metropolitana. O município tem 1,2 milhão de habitantes e o policiamento ostensivo é de atribuição de um único batalhão, o 7º BPM.
"[Há 50 anos} A radiografia da criminalidade era outra. O perfil da criminalidade era outro. São Gonçalo é uma cidade com 1,2 milhão de habitantes. Como pode ter um batalhão? (…) A ideia nossa é repensar os batalhões por região. Se tem que aumentar o número de batalhões, se tem que mudar o local. É repensar a segurança pública. Será que esse modelo está dando certo? Tem 50 anos que ninguém pensa. Botar só gente na UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) não vai resolver", acrescentou o governador.
Primeiras comunidades do programa
Em novembro, o g1 apurou que Jacarezinho, na Zona Norte, e Muzema, na Zona Oeste, deveriam ser as primeiras comunidades a receberem o programa. Elas são controladas, respectivamente, pelo tráfico e pela milícia.
Este ano, os dois locais foram notícia por ações violentas – como a que terminou com 28 mortos no complexo de favelas da Zona Norte – e por tragédias – como o desabamento com 24 óbitos em prédio erguido em área dominada por milicianos da comunidade na Zona Oeste.
A princípio, o projeto estava divido em três fases, prevendo ocupação de seis favelas:
Jacarezinho;
Muzema/Tijuquinha/Morro do Banco, no Itanhangá;
Cesarão, em Santa Cruz;
Pavão-Pavaozinho/Cantagalo, em Copacabana e em Ipanema;
Maré;
Rio das Pedras.
Anúncio em maio de 2021
A intenção de reformar o projeto adotado pelas UPPS foi anunciada em maio pelo governador Cláudio Castro (PL), que na ocasião não deu detalhes.
Em maio, ao Blog do Edimilson Ávila, Castro disse que retomaria no segundo semestre de 2021 a ocupação de comunidades, “com o estado presente”, diferentemente do programa das UPPs.
“O estado não estava presente, não tinha serviço lá dentro”, afirmou na ocasião.
Pavão-Pavãozinho/Cantagalo e Jacarezinho já possuíam UPPs, oriundas dos governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.
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Philippe Lima/Governo do Estado/Divulgação

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Redação

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