Angela Merkel escolhe uma música de Nina Hagen, ídolo punk da Alemanha nos anos 1980, para sua despedida

Angela Merkel escolhe uma música de Nina Hagen, ídolo punk da Alemanha nos anos 1980, para sua despedida


Angela Merkel deixa o poder na Alemanha depois de 16 anos. Ela será substituída por Olaf Scholz. Para sua despedida, ela pediu uma música que fez sucesso na Alemanha Oriental, onde ela cresceu. Angela Merkel é aplaudida durante eleição de Olaf Scholz no Parlamento
Angela Merkel está se despedindo do cargo de chanceler federal da Alemanha, após 16 anos na posição mais importante do país. Nesta quarta-feira (8), ela deve passar o cargo para Olaf Scholz.
Ela escolheu algumas músicas para a banda militar que vai participar da cerimônia de despedida, e uma dessas canções é de Nina Hagen, uma cantora punk que fez sucesso no começo dos anos 1980.
Imagem sem data da conta oficial de Nina Hagen em uma rede social
Reprodução/Facebook
Nina Hagen gravou a música "Garota de Berlim" com o cantor brasileiro Supla e sua antiga banda Tokyo, em 1985.
Supla
Divulgação
Merkel não escolheu Garota de Berlim para sua despedida, mas, sim, uma música chamada "Du hast den Farbfilm vergessen" (Você Esqueceu o Filme Colorido, em tradução literal). Essa canção fez sucesso na Alemanha Oriental nos anos 1970. Hagen era da Alemanha Oriental, imigrou para a Alemanha Ocidental e se tornou uma das cantoras mais famosas do país nos anos 1980.
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Capa do single de Du hast den Farbfilm vergessen, uma das três músicas que Angela Merkel escolheu para sua cerimônia de despedida
Reprodução
Segundo o “New York Times”, Merkel afirmou que essa canção a lembra de sua adolescência —Merkel também era da Alemanha Oriental. “Essa música foi um ponto alto da minha juventude, que, como todos sabem, aconteceu na República Democrática Alemã (Alemanha Oriental), e, de fato, (a letra) se passa em uma região que era no meu antigo distrito eleitoral”, disse Merkel.
Última mensagem
O último vídeo de Merkel para os alemães como chanceler foi veiculado no sábado. Ela defendeu a vacinação contra Covid-19: "Peço-lhe mais uma vez, com insistência, que levem a sério este pérfido vírus. A nova variante ômicron parece, precisamente, ainda mais contagiosa que as anteriores. Vacinem-se. Não importa se é uma primeira dose ou uma [dose de] reforço. Qualquer vacinação é útil", disse a chanceler alemã na mensagem de vídeo.
Ela ressaltou que a quarta onda da Covid-19 na Alemanha é "muito séria" e até "dramática" em algumas regiões, onde as unidades de terapia intensiva estão sobrecarregadas.
"Isso poderia ter sido evitado. Com vacinas eficazes e seguras, temos a solução à mão", insistiu Merkel.
Aposentadoria
Em julho, durante uma visita a Washington, Angela Merkel foi questionada sobre como imagina sua aposentadoria. Ela deixou claro que fará uma pausa e não aceitará convites.
Ela disse que pretende refletir sobre "o que realmente me interessa" – coisa para que teve pouco tempo, nos últimos 16 anos: "Talvez eu tente ler algo, aí os meus olhos vão se fechar, porque estou cansada. Depois vou dormir um pouco, e depois vamos ver onde reapareço".
Em 17 de julho último, Angela Merkel completou 67 anos. Sob o aspecto financeiro, ela não tem com que se preocupar. Atualmente ganha 25 mil euros por mês como chanceler federal alemã. Além disso, tem direito a pouco mais de 10 mil euros como deputada do Bundestag, do qual é membro há mais de 30 anos. Quando deixar de trabalhar, ela continuará recebendo seu salário por mais três meses e, depois, metade dele como subsídio transitório, por um máximo de 21 meses.
Para a pensão subsequente, entram no cálculo uma série de fatores, como seus mandatos como chanceler federal, ministra e deputada federal.
Ela deve receber uma pensão de cerca de 15 mil euros por mês, tendo também direito a proteção pessoal e a um carro com motorista, para o resto da vida. Além disso, terá um escritório dentro do Parlamento em Berlim, com dois assistentes e uma secretária.
Segunda carreira na economia?
Mesmo que ex-membros do governo sejam obrigados por lei a manter a confidencialidade, eles são bem-vindos no mundo dos negócios como conselheiros (principalmente porque eles têm muitos contatos políticos). Alguns dos antecessores de Angela Merkel seguiram carreira na economia.
Helmut Schmidt (mandato de 1974 a 1982) tornou-se editor do jornal semanal "Die Zeit" em 1982, e era um orador muito aplaudido. Numa entrevista em 2012, afirmou que não dá palestras por menos de US$ 15 mil.
O ex-chanceler federais Helmut Kohl (1982-1998) fundou uma empresa de consultoria política e estratégica, com a qual ganhava muito bem como lobista e consultor.
Gerhard Schröder (1998-2005) sofreu críticas quando, em 2005, apenas alguns meses após deixar o governo, se colocou a serviço da empresa de gasodutos Nord Stream, uma subsidiária da russa Gazprom. Em seu governo, havia feito campanha para o gasoduto.
Marido ainda dá aulas
Até agora, Merkel não se pronunciou se assumiria um novo cargo ou posto honorário. É provável que pelo menos por algum tempo ela permaneça em Berlim. Seu marido, o químico quântico Joachim Sauer, ainda não pensa em parar de trabalhar. Embora seja professor emérito na Universidade Humboldt em Berlim, aos 72 anos ele estendeu seu contrato como pesquisador-chefe até 2022.
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Redação

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